Oi de novo!

E aqui está o segundo capítulo de hoje. A única coisa que tenho a dizer é: tenham esperança. Espero que vocês gostem dessa fic tanto quanto eu. hehehehe

Muito obrigada por acompanharem essa fic pacientemente (já que eu sou uma procrastinadora daquelas!). Vou me esforçar para trazer logo os últimos capítulos pra vocês. ^^

Um beijão!

Lena.
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Capítulo 24: O que sou eu sem você?


Resumo:
Quando essa solidão terminará?  [1]
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Notas da Autora:
Eu tenho nadado em trabalho ultimamente, então esse capítulo demorou um século para escrever. Mas, agora estamos aqui. É isso que conta. :)
Aliás, eu recebi uma fanart. Vocês podem vê-la aqui. Um grande ‘obrigada’ a SM13 por isso. Eu amei. <3
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Eu dormi até meu corpo não conhecer mais nada. A vida passava por mim sem ter nenhuma tentação para me atrair para fora da cama. Todos os dias, barulhos tentavam me arrastar para fora do meu torpor, mas eu os dispensei, pois meu sono havia se tornado minha droga. Era o lugar aonde eu podia ir para ver o rosto de Eren, sentir a mão dele na minha. Quando eu estava lá com ele, em seu abraço gentil, eu podia fingir que ele estaria aqui comigo quando eu acordasse. Apesar de estar sozinho, meu corpo lembrava o jeito que sentia como era ter ele pressionado contra mim, nossos corações batendo como um.
Tinham horas em que eu era incapaz de persuadir o sono a me manter longe da realidade. Nesses momentos, eu ficava deitado olhando para o pôr-do-sol que Eren tinha pintado em minha parede. Eu passava meus dedos sobre as cores do passado, lembrando, lembrando. Eu nunca queria esquecer.
Eren.
Outra vezes, eu acordava no meio da noite e vagava sem rumo pela casa. De alguma forma eu acabava no quintal, onde memórias de dançar com Eren me persuadiam a ir para a grama úmida que beliscava meus pés descalços. Ali, sob o fraco luar que iluminava o alinhamento de vidoeiros à distância, a dor me apertava até que lágrimas deslizassem pelas minhas bochechas frias. Eu não ansiava por nada que não fosse ele.
Eren.
Tudo doía. Nada estava bem.
Eren.
Por que ele me deixou? Por que ele não me levou com ele? Eu não entendia. Eu nunca entenderia.
Isso dói demais. Volte.

(x)

Alguma coisa havia me acordado. Abrindo os olhos, eu fiquei deitado na cama sem saber se era de manhã, de tarde ou de noite. O sono apagou todas as diferenças.
Eu puxei o lençol até meu queixo, ouvindo a quietude da casa. Então, aparentemente vindo do nada, alguém riu. O som espantou o silêncio. Por um momento, uma fração de segundo, eu tinha certeza que havia sido Eren e tudo dentro de mim brotou, mas então meu cérebro registrou o tom: muito agudo. Não podia ser Eren. É claro que não era ele. A voz que eu estava ouvindo pertencia a outra pessoa.
Totalmente acordado, eu virei de costas e olhei para o teto, onde eu tinha pendurado centenas de garças de papel que balançavam nos feios que os mantinham no lugar. De algum lugar da casa, eu ouvi Petra rir de novo. Eu podia sentir o cheiro de alguma coisa, o que significava que ela estava cozinhando com a esperança de me tirar da cama. Se eu não levantasse por conta própria, ela viria aqui e eu não tinha certeza se estava pronto para que ela me visse assim. Então, reunindo o pouco de força que me restava, eu me sentei.
Meu quarto havia se tornado algo saído de um sonho febril: papéis de origami espalhados pelo chão, paredes cobertas com fotos que Eren havia tirado, o teto cheio de garças de várias cores. Sempre que eu olhava para tudo era quase como se eu pudesse ouvir a voz de Eren me dizendo que eu estava fazendo ao contrário, que eu deveria estar seguindo em frente retirando as coisas e não colocando-as. Mas não existia um seguir em frente a partir dele.
De pés descalços, eu caminhei até a cozinha para encontrar Petra e Jean remexendo em alguma coisa no forno. Eles estavam amontoados cutucando seja lá o que fosse com uma espátula. Julgando pelo cheiro ruim, não foi Petra quem esteve cozinhando (cheirava a bunda queimada – a especialidade do Jean). Aquela provavelmente era a razão por trás da risada dela de antes. As comidas de Jean não eram exatamente comestíveis. O máximo que ele podia fazer era um Mac and Cheese [2], e isso num dia bom.
“Fazendo imundície de novo, Jean?” Eu perguntei.
Eles dois giraram ao som da minha voz, olhos arregalando quando me viram de pé ali atrás deles. Por três semanas eu os tinha evitado. Eu ignorei suas ligações, não enviei respostas às suas mensagens e até fui tão longe a ponto de não atender a porta sempre que eles vinham me ver. Agora, eles estavam tomando as coisas em suas mãos, mas aquilo não significava que eles estivessem preparados para me ver no estado que eu estava. Eu não tinha comido muito de coisa alguma desde que Eren se foi, então eu perdi uma boa quantidade de peso.
“Eu vou fazer alguma coisa para substituir a imundície,” Petra disse em uma voz sussurrada. Ele parecia estar há segundos de se desfazer em lágrimas.
“Eu pareço tão horrível assim?” Eu perguntei. Eu saberia que parecia.
Jean engoliu. “Quero dizer, bem...” Ele suspirou e eu olhei fixamente para ele até que ele adicionasse, “Você meio que parece merda.”
“Bom, porque me sinto como merda. É café que estou cheirando?”
Imediatamente, Petra largou a espátula que estava segurando para pegar uma caneca do armário. Ela a colocou sobre a bancada e serviu uma generosa quantidade de café nela. Só o cheiro já me fez sentir mais acordado.
“Tem alguma coisa que você gostaria de comer com isso?” Ela perguntou enquanto me entregava a caneca. A sensação era quente e familiar na minha mão.
Eu não estava muito faminto, mas eu sabia que me ver comendo alguma coisa a deixaria mais relaxada e, depois de desviar das ligações dela, isso era o mínimo que eu podia fazer. “Panqueca parece bom.”
“Então vou fazer algumas.” Ela se virou em se ocupou com a tarefa de despejar a comida que Jean tinha feito na lixeira.
Quando ela trocou a assadeira por uma tigela de mistura, eu fui me sentar à mesa. Minha cabeça estava latejando ritmicamente com meu coração. Todo esse sono havia me dado uma dor de cabeça permanente. Eu queria ir me deitar, mesmo que isso fizesse piorar, mas eu precisava passar pelo café da manhã (ou era almoço?), e então eu poderia convencer Jean e Petra de que eu estava bem. Eles não precisavam saber a extensão da minha miséria ou eles ficariam mais preocupados do que já estavam.
Eren...
“Ei,” Jean disse, puxando uma cadeira de frente para a minha. “Eu trouxe sua correspondência para dentro. Você a quer?”
Eu beberiquei o café. Isso me fez relaxar um pouco. “Não.”
“Tem certeza? Você a deixou acumular ao ponto de sua caixa de correio ficar lotada.”
Olhando fixamente para ele, eu notei que ele finalmente havia cortado seu cabelo. Não era mais a juba selvagem que fora pelos últimos meses. Namorar Petra deve ter feito ele esquecer de desafiar seu pai a cada volta. Bom. Aquele desgraçado não merecia o tempo do dia. Eu esperava que ele ainda estivesse apodrecendo na cadeia, ou que tivesse visto o suficiente dela para se afastar-se dessa cidade. Ele não precisava voltar só para arruinar a felicidade do Jean.
“Você provavelmente deu uma olhada nela,” eu disse, sabendo que ele tinha. “Me diga: tem alguma coisa que vala a pena ver?”
“Não exatamente. Na maior parte correspondência indesejada e contas.” As sobrancelhas de Jean se juntaram na menção de contas, mas eu já tinha cuidado disso.
“Não se preocupe com isso. Eu tenho dinheiro suficiente no banco no momento. Quando eu não tiver, eu vou sair da cama e voltar para o trabalho. Isso é, se eu ainda tiver um emprego, ou o Treinador decidiu despedir meu traseiro?”
Você sabe que ele não faria isso. Ele entende o que você está passando melhor que ninguém.”
É claro que Erwin entendia. Ele havia perdido a esposa, então ele conhecia essa dor. A dor que nunca renunciava ou vacilava, mas que se movia através de você como se fosse um ser vivo que florescia na agonia. Eu sentia tanto a falta de Eren que na maioria dos dias era impossível funcionar. Porém eu sabia que eu continuaria vivendo, mesmo que nem um dia fosse passar em que eu não pensasse nele, ansiasse por ele. Como ele pode partir?
“Levi?” Jean disse olhando para mim com preocupação.
Eu derrubei a cabeça em minhas mãos. “Me desculpe. É só que... me mata saber que ele ainda está lá fora em algum lugar enquanto eu ainda estou aqui...” Eu não pude continuar. As palavras eram difíceis demais de dizer em voz alta. Elas ficaram alojadas em minha garganta.
“Não se desculpe. Eu não vou ficar sentado aqui fingindo que sei pelo que você está passando, porque eu não sei, mas eu sei que é difícil. Eu sei que você está com dor, Levi.” Ele levou a mão através da mesa e apertou a minha. “Eu disse isso antes, mas, com você, eu preciso dizer de novo. Você não está sozinho nisso. Se em algum momento você precisar desabafar, ou destruir alguma coisa, você pode me ligar.”
Eu soltei um riso abafado, apesar da urgência de chorar ter feito isso parar. “Você só quer uma desculpa para quebrar as leis.”
Jean me ofereceu um sorriso torto. “É claro, bebê. Você me conhece bem demais.”
“Eu não acho que a Sra. Aprovaria.”
“Está brincando? Ela provavelmente vai querer entrar em ação. Você conhece a Petra.”
Para isso, Petra se virou e apontou o misturador para ele acusadoramente enquanto dizia, “Não manche o meu bom nome.” Eu não achava que qualquer pessoa fosse capaz de manchar o bom nome dela, mesmo que tentassem. Em seu leve vestido vermelho, ela parecia com a imagem de um cartaz de beleza clássica. Era difícil imaginá-la quebrando leis por escolha própria.
Jean levantou as mãos como se estivesse na mira de uma arma. “Eu não disse nada.”
Depois do café da manhã (eu consegui segurar uma barriga), Jean me seguiu pelo corredor para dentro do banheiro. Eu acendi a luz completamente despreparado para ver meu próprio reflexo no espelho. Meu cabelo estava mais comprido do que esteve há muito tempo, apontando em todas as direções imagináveis. Meu undercut também estava fora de controle, mas isto podia ser consertado em pouco tempo. O que não podia ser consertado imediatamente eram os círculos em volta dos meus olhos, que estavam tão escuros que eu parecia vampiresco. Eu também tinha perdido mais peso do que pensara inicialmente.
“Bem,” eu disse passando meus dedos pelos meus cabelos. Neste ponto, ele estava imanejável. Eu precisava tomar banho.
Jean tocou o topo da minha cabeça pensativamente. “É.”
“Eu pareço horrível.” Eu sorri, lembrando de Eren dizendo aquilo para mim. Então eu suspirei. Isso nunca seria fácil. “Porra. Eu não acho que vá deixar de sentir falta dele algum dia.”
“Eu sei, mas ficar na cama o dia inteiro não vai ajudar. Mesmo que isso seja uma droga, a vida continua. Eu acho que você viu que nessas últimas semanas você esteve sem ele.”
“É, mas isso não faz com que doa menos.”
“Eu nunca disse isso.”
Eu suspirei de novo. “Me dê uma hora para me limpar. Então iremos a algum lugar. Se eu ficar aqui, vou acabar na cama de novo. Três semanas de se lamentar é o suficiente.” Mesmo que eu ficasse na cama por mais um mês, eu não estaria efetuando nada. Não importava o quanto eu estivesse devastado, eu não podia mais colocar minha vida na espera. Eu tinha amigos que se importavam comigo, que estavam dispostos a me ajudar com isso, mas isso não faria diferença nenhuma se eu continuasse me fechando. Eren não iria querer que sua ausência me destruísse assim.
Então, por ele, eu colocaria minha vida em ordem de novo, pouco a pouco.
“Eu estarei na cozinha,” Jean disse. “Você quer ajuda para aparar seu undercut depois que terminar de tomar banho?”
“Sim.”
“Okay, só me chame quando tiver terminado.”
Quando ele saiu, eu me despi sem olhar para mim mesmo no espelho. Então abri a água e esperei que ela esquentasse sob meus dedos antes de abrir o chuveiro. Enquanto eu me lavava, eu pensei sobre o quanto eu fui egoísta na última semana que estive com Eren. Eu nunca me coloquei no lugar dele. A decisão de partir não poderia ter sido fácil, ainda assim eu egoistamente supliquei para que ele ficasse. Eu nunca seria capaz de esquecer o rosto dele no dia que ele saiu da cidade. Ele parecia como se tudo dentro dele estivesse quebrando de uma só vez, mas eu só fui capaz de focar em meu próprio sofrimento. Agora eu nunca seria capaz de dizer a ele o quanto em sentia por ter sido um inútil egocêntrico.
Por que ele não me deixou com uma forma de entrar em contato com ele? Mesmo que eu não pudesse estar com ele, eu queria saber como ele estava. Eu queria ouvir a voz dele, a risada dele. Então de novo, aquilo provavelmente tornaria isso ainda mais difícil para nós dois. Ele queria um término claro por uma razão. No fim, se agarrar faria disso pior.
Em um torpor, eu saí da banheira e demorei tempo demais para me enxugar. Eu podia me sentar ali e dizer a mim mesmo que eu reconstruiria minha vida, que eu encontraria um jeito de seguir em frente, mas como isto sequer era possível? Minha vida nunca poderia voltar a ser como era antes. Eu não queria que voltasse. Fazer isso seria apagar os meses que eu passara com Eren, e o verão em que eu me tornara dele se tornou a parte mais importante da minha vida. Então o que era suposto que eu fizesse?
Essas últimas três semanas tinham sido uma tortura, mas eu estive tão entorpecido com desespero que eu era capaz de me segurar a uma lasca de controle de minhas ações. Agora, eu não tinha certeza de por quanto tempo eu seria capaz de manter aquele nível de controle. Tudo dentro de mim estava deslizando para território perigoso e eu queria gritar até meus pulmões falharem. Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu surtaria. Eu só podia esperar que alguém estivesse por perto para me impedir de fazer alguma coisa idiota.
Assim que estava vestido, eu chamei Jean de volta para o banheiro. Enquanto ele preparava os clippers, eu fiquei parado em frente à pia, perdido em pensamentos. Como nos velhos tempos, ele e Petra me ajudaram a aparar meu undercut, mas, enquanto ela segurava meu cabelo para cima, eu ficava lembrando de Eren amarrando meu cabelo em um rabo de cavalo. Cada centímetro dessa casa estava repleto de memórias dele. Não havia escapatória disso.
“Ei,” Petra disse gentilmente, colocando sua mão em meu ombro depois que Jean desligou a máquina. “Não fique segurando. Você sabe o que vai acontecer se fizer isso.”
Eu encontrei os olhos dela no espelho e forcei as palavras para fora. “Eu não sei como fazer isso. Eu não estou bem.” Eu engoli assim que as palavras saíram da minha boca. Eu sabia que eles já sabiam que eu não estava bem, mas dizer isso em voz alta precisou de muito esforço. Normalmente, eu mantinha tudo dentro de mim até que chegasse ao limite e derramasse da forma mais agressiva.
Ela me virou para que eu a encarasse. “Levi, eu nem posso imaginar a dor que você está sentindo agora, e eu sei que você está tentando lidar com isso o melhor que pode, mas isso ainda não é suficiente. Eu acho que Eren sabia que não seria o suficiente.” Soltando suas mãos de ombros, ela disse, “Tem outro motivo para termos vindo aqui hoje. Antes de Eren partir, ele me deu algo para entregar pra você. Eu perguntei a ele quando eu deveria, mas tudo o que ele disse foi, ‘Você vai saber’, e eu acho que sei.”
“Ele deixou algo pra mim?”
“Sim. Eu já coloquei isso no seu quarto. Você provavelmente vai querer estar sozinho, mas Jean e eu estaremos na sala de estar se você precisar de nós, okay?”
Eu a abracei porque, naquele momento, eu precisava disso. “Okay.”
Então eu estava andando para o meu quarto. Nada parecia diferente quando pisei dentro dele, mas agora tinha alguma coisa em cima do meu travesseiro que não estava lá antes: eu gravador de voz digital. Eu o peguei com mãos trêmulas, mas não reproduzi a fita dentro dele. Antes de fazer isso, eu precisava me sentar, me preparar mentalmente para o que estava prestes a ouvir.
Alguns minutos depois, eu estava sentado ao pé da cama, fones de ouvido em minhas orelhas. Meu dedo pairou sobre o botão de PLAY. O que eu escutaria nessa fita?
Só havia um jeito de descobrir.
No segundo que eu apertei o play, a voz de Eren veio pelos fones de ouvido. “Levi.”
Parecia que eu não ouvia a voz dele há uma eternidade. Com aquelas duas sílabas que formavam meu nome, eu fui inundado por emoções que seguraram meu coração em um aperto fatal. Eu queria reproduzir isso até que memorizasse o timbre exato da voz dele.
Eren, meu Eren.
Mon amour, se você está escutando isso, então eu não estou mais aí com você. O que eu posso lhe dizer que ainda não disse? Se eu pudesse lhe dar o conforto que precisa, então eu daria, mas não posso, e isso me dói mais do que eu poderia sequer explicar.” Ele fez uma pausa e eu ansiei que ele continuasse, que ele falasse comigo, mesmo que isso viesse do passado. Fazia tanto tempo. “Enquanto eu gravo isso, você está sentado no outro quarto, quebrado. Em dois dias, eu vou deixar Shiganshina, a cidade onde encontrei minha vida. Eu não quero ir. Eu não quero deixar você. Mas eu não posso suportar o pensamento de você me ver em meus estágios finais de vida.”
Afundando no chão, eu segurei o gravado contra meu peito, fechando meus olhos para a dor esmagadora que piorava com cada segundo que passava. Mesmo quando eu podia ouvi-lo, não era suficiente. Não chegava nem perto de ser suficiente. Eu queria ele bem aqui comigo, em meus braços, a mão dele na minha. Esta era realmente a última vez que eu o ouviria? Eu não podia suportar o pensamento.
“Eu amo você”, ele disse. “Ah, Levi, eu amo tanto você. Eu queria que isso fosse suficiente. Eu queria que meu amor pudesse ficar para trás e abraçar você em seus momentos mais sombrios.” Ele estava chorando agora, a voz dele malmente ali. “Quando eu partir, eu quero que você fique livre de mim. Eu quero que você saia no mundo e viva. Você tem sua vida inteira a sua frente. Por favor, não me deixe leva-la embora. Se tivesse uma coisa que eu pudesse pedir de você, isto seria para não deixar a memória de mim arruinar você.”
Eu me encolhi. Através de todo o seu sofrimento, ele havia deixado isso para trás pra mim, porque ele sabia que eu precisaria. O que eu deixara para ele? Nada. Nada.
Deus, Eren, eu sinto muito.
Falando por entre suas lágrimas, ele continuou. “Levi, a luz da minha vida, ‘Se tudo o que eu vi, é você que eu quero seguir vendo: De tudo o que toquei, é a sua carne que eu quero seguir tocando’. Eu sei que um dia você amará novamente. Quando este dia chegar, entregue-se a isso. Não se contenha e pense em nós. Viva no presente, somente no presente.”
Não diga adeus. Eu não estou pronto para ouvir você dizer isso. Eu acho que nunca estarei.
“Eu não poderia pedir por alguém melhor para me apaixonar,” Eren sussurrou, suas palavras finais. “Você me amor tão completamente e eu sou grato que eu pude experimentar isso. Você me fez o mais feliz que eu já fui. Você tem que saber disso. E agora é a hora que eu vou, mas eu não direi adeus. Eu nunca direi adeus a você. Como poderia? Nosso tempo é eterno, lembra?”
E simplesmente assim, a gravação parou, deixando eu me sentindo mais vazio do que estive antes. Como eu poderia continuar vivendo sem ele? Isso parecia impossível. Ele era a única pessoa que eu amaria desse jeito. Ninguém mais jamais se compararia a ele. Isso não era justo.
Eu não tinha terminado de amá-lo.
Eu queria uma vida e mais.
Sair para o mundo e viver. Isto era o que ele queria que eu fizesse, mas eu não conseguia pensar em como fazer isso.

(x)

Hoje marcava o quarto mês desde a última vez que eu vi Eren e eu ainda sentia sua falta todos os dias. A despeito da crença popular, o tempo não entorpeceu a dor de perde-lo. Tudo o que o tempo fez foi me ensinar como viver com isso, como continuar minha vida mesmo quando uma parte enorme dela estava faltando.
Em uma semana eu faria dezoito anos. Uma semana depois disso, eu me mudaria. Catorze dias até que eu tivesse saído desta cidade, mas dessa vez não haveria nada para me manter aqui. Tudo bem com isso. Eren havia me ensinado tudo o que eu precisava saber para continuar vivendo, para não deixar o ódio que eu sentia pelo Kenny me consumir, ou me definir. Quando eu partisse, eu não estaria fugindo de nada e isso era uma benção por si só.
“Então,” Jean disse limpando suas mãos sujas de óleo em um trapo velho. Nós estávamos trabalhando pelas últimas três horas direto, o que não teria sido tão ruim se a garagem não estivesse congelando. “Quer almoçar na casa da Petra?”
Eu olhei para ele por cima do capô do Oldsmobile Cutless [3] que estava entre nós. “Você tem certeza que quer me levar lá? Ela fica emotiva sempre que vê agora.”
“Isso é porque você é como o filho dela e você está todo crescido agora.”
Eu revirei meus olhos. “Vocês agem como se eu estivesse ‘deixando o ninho’.”
“Você meio que está.” Ele jogou o trapo velho em seu ombro. “E mais, ela que gastar o máximo de tempo com você antes de você sair da cidade. Você pode culpa-la?”
Eu suspirei. “Certo. Nós vamos lá.”
“Ótimo. Vamos marcar o ponto.”
Nós entramos juntos na sala de descanso pegando nossos cartões da prateleira. Do lado de fora, um espesso cobertor de neve cobria o chão. O inverno nunca tinha sido meu forte. Eu odiava o clima frio e, mesmo agora, eu não podia evitar de me imaginar enrolado perto da lareira da Petra com Eren em meus braços. Algum dia eu pararia de deseja-lo?
“Posso lhe perguntar uma coisa?” Jean disse mantendo seus olhos do cartão à frente dele.
“Vá em frente.”
Ele bateu a lapiseira que estava segurando contra o papel várias vezes antes de falar. “Você acha que Grisha esqueceu?”
Antes de Eren ir embora, ele havia me dito que quando ele morresse, Grisha entraria em contato comigo com as notícias, para me dar algum sentido de fechamento. Quatro meses e nenhum de nós ouviu do Dr. Jaeger. Não ajudava o fato de não termos um meio de entrar em contato com ele. O celular dele nunca estivera desconectado.
“Ou Eren pediu a ele que não me ligasse,” eu disse.
Os olhos de Jean dispararam para meu rosto. “Isto é cruel.”
“Eren não teria feito isso por crueldade. Ele teria feito esperando que a ideia dele ainda estar vivo por aí me ajudasse a seguir com minha vida.”
“Isso não faz nenhum sentido. Mais cedo ou mais tarde você vai perceber que tempo demais passou e não tem como ele ainda estar vivo.”
Eu estremeci, mas torci para ele não tivesse notado. “Mas até lá eu já teria seguido em frente, então a verdade não machucaria tanto.”
Jean balançou a cabeça. “Eren subestimou o amor que você tem por ele se ele acredita nisso.”
“O que quer dizer?”
“Faz quatro meses e você ainda está apaixonado por ele, Levi. Ele poderia passar por aquela porta agora mesmo e você largaria tudo para estar com ele de novo. Não me diga que não faria porque nós dois sabemos que faria. Então, o que estou dizendo é que não importa quanto tempo passe, assim que você descobrir sobre a morte dele, isto vai lhe atingir com tanta força quanto no dia que ele partiu. Por que ele estenderia isso?”
Eu mordi meu lábio inferior, desejando que eu pudesse negar tudo o que ele disse, mas eu não podia. Apesar de eu ser capaz de levar minha vida sem desabar, eu me agarrava desesperadamente na esperança de que Eren estava vivo e, possivelmente, melhorando. Eu sabia que aquilo era impossível, mas tornava as coisas mais fáceis para mim, o que era o motivo de eu não estar surpreso por Grisha não ter ligado.
“Eu ficarei bem,” eu disse.
Jean soltou um suspiro. “Vai mesmo?”
Irritado, eu murmurei, “Podemos mudar de assunto?”
“Não, não podemos. Você não pode passar o resto da sua vida esperando por ele, Levi. Você precisa aceitar que ele se foi, que ele não vai voltar. Não pense que eu não reparei o apartamento que você alugará em Portland. Ele é conectado a um estúdio de arte.”
Eu rangi os dentes, a raiva se acendendo. “Só cala a porra da boca! Não é da sua conta o que eu faço com minha vida.”
Sem aviso, ele me empurrou para a parede com força. Ele me segurou ali agarrando em meus ombros. Olhando-me nos olhos, ele disse, “É da minha conta. Eu me importo com você. Você precisa começar a viver para você mesmo. O Eren está morto, Levi.”
Eu virei minha cabeça para o lado, rangendo meus dentes com força suficiente para fazer minha mandíbula doer. “Você não sabe disso.”
“Não sei? Já faz quatro meses. Ele mal podia levantar da cama quando ainda estava aqui—”
“Vai se foder, Jean!” Eu estourei, empurrando-o para longe de mim. Meu coração estava pulando em meu peito. Eu precisava sair dali. “Só... vai se foder. Ele ainda pode estar vivo.”
Antes que Jean pudesse dizer qualquer coisa, eu corri da sala de descanso e não parei até estar na metade da rua. Mas eu não esperei para recuperar o fôlego. Eu caminhei penosamente pela neve, meus pés revestidos pelas botas afundando nela a cada passo que eu dava. O vento frio beliscava minhas bochechas, mas eu continuei andando até estar parado na frente de uma casa familiar que guardava tantas memórias, me doía só de olhá-la. A casa de Eren estava do mesmo jeito. Não tinham diferentes notáveis. Eu não estivera ali desde o dia que ele foi embora.
“Você realmente se foi?” Eu disse, minha respiração virando lufadas visíveis de ar. “Você está mesmo morto, Eren?”
Eu queria tanto falar com ele.
“Eu não acredito nisso,” eu sussurrei balançando a cabeça. “Eu teria sentido alguma coisa. Me diga que eu teria sentido alguma coisa.” Eu balancei a cabeça de novo. “Eu pensei que isto deveria estar ficando mais fácil, mas não está. Está ficando mais difícil. Eu não sei mais o que eu devia fazer.”
Enquanto fiquei parado ali, Jean parou na caminhonete da Petra. Ele estava fora dela em poucos segundos, correndo para mim com meu casaco. Ele o jogou sobre meus ombros. “Você vai ficar com hipotermia ou algo assim,” ele disse enquanto tentava passar meus braços pelas mangas.
Eu me virei para ele, sem esperança. “Ele está morto, não está?”
Jean pareceu desapontado, suas mãos parando. “Eu não sei. Eu não deveria ter dito aquela coisa lá. Foi errado de minha parte. Eu só estou preocupado com você. Você tem vivido sua vida em piloto automático desde que ele partiu. Tudo o que eu queria era que você enxergasse que precisa começar a viver para si mesmo.”
Eu encostei minha cabeça no ombro dele. “Não posso fazer isso até eu saber, sem dúvida nenhuma, que ele se foi.”
“Então vamos descobrir um jeito de entrar em contato com Grisha.”
“Eu assenti. “Okay.”
“Agora vamos entrar na caminhonete. Está congelando pra caralho aqui.”
Enquanto Jean me guiava para a calçada, eu olhei para trás, para a casa de Eren, uma última vez.
Por que parecia que ele estava me dizendo para esperar?
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Notas da Autora:
Mais 2 capítulos faltando. Eu sinto como se estivesse trabalhando nessa fic há um longo tempo, mesmo que só façam quatro meses. Eu suponho que é tempo suficiente, mas estou ansiosa para termina-la. Eu também fiz outra playlist para essa minha história. A primeira música, Already Gone, me atingiu com força nos sentimentos. Eu tropecei nela por um tempo enquanto estava procurando no YouTube e ela combinava com esse último capítulo tão bem que lágrimas estavam derramando. Esta é a única música na playlist que eu imaginei sendo no ponto de vista do Eren.
Bem, vejo vocês no próximo capítulo. Obrigada por lerem, comentarem e deixarem kudos. :)
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Notas da Tradutora:
[1] E é Muse de novo! Hahaha O nome da música é Map of the problematique. Vejam o vídeo com tradução em espanhol (não achei em português hehe) AQUI =)
[2] Mac and Cheese: Macaroni and cheese é um prato típico dos Estados Unidos, feito com massa-cotovelo e queijo ralado.
[3] Oldsmobile Cutless
[4] Already Gone é uma música da banda Sleeping At Last. Eu procurei por um vídeo que tivesse a letra traduzida, mas que não estivesse ligado a nenhuma série ou filme, mas não consegui. hehehe Então vai esse mesmo. XD

E eu (de novo): 

12 Comentários

  1. Meu Deus Lena, muito obrigada, eu não via a hora de ler mais sobre esse dois, é muito amor e muita emoção, te entendo por se deixar atingir, eu tenho vontade de chorar só de lembrar deles. Realmente a história é muito bem escrita e envolve demais. Apaixonada por essa escritora. Mais uma vez OBRIGADAAAA

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    1. Siiim!!!! Já chorei tanto com eles e volto a chorar. huahauhaua Vou correr com os outros dois caps!! Essa escritora é maravilhosa! Ela tem várias outras fics ereri. *-*
      Bjsss

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  2. No outro capítulo eu tava sem esperança, mas com esse... ai, não sei. Já passei vergonha aq por estar soluçando na frente do povo de casa e sem conseguir explicar o porquê. Essa história me envolveu muito mesmo sem ter assistido o anime, acho q é por causa da forma q ela foi escrita. Obrigada Lena por este capítulo ^^

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    1. Hahahaha Sei bem como é! XD Mesmo que tivesse visto o anime... a única diferença seria se vc já shippasse o casal pq aí vc já começaria a ler na torcida hehehe Mas a história envolve tanto e é tão bem escrita, que não precisa conhecer a história original pra se apaixonar. *___*

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  3. Lena já ouvisse falar de Love o2o? Não é BL, mas é bom. Dá uma olhadinha e vê se tu pode colocar como possível projeto quando tu acabar algum desses por favor :D

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    1. Vou procurar sim! Obrigada pela sugestão. ^^

      Bjssss

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    2. Tem um Dorama, eu tô assistido e adorando, bem fofinho mesmo

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    3. diz o nome para que possamos ver também, obrigado

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  4. è complicado tentar explicar ao povo de casa porque estou chorando, mas é muito lindo obrigado Bjss, esperando enciosamente os últimos dois capítulos, prevejo mais lagrimas

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  5. Que triste, chega doer. Mas to amando...

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