Oi povo!!! *O*/
Tudo bem com vocês? Desculpem a demora. Eu estava tentando me entender com o blogger para organizar as postagens, mas... hehe Posso arrumar as coisas depois, né? XD Então, por enquanto, aguentem a bagunça por aqui, ok? 
Sem mais demora, aqui está o primeiro capítulo de Perseguindo o Verão. ^^

Capítulo 1: Ponto de Calor

O horário do almoço foi passado sentado no meio da quadra de basquete com Jean. Ele estava esticado na minha frente, as mãos dobradas atrás da cabeça para que pudesse olhar para o céu nublado com um cigarro preso entre os lábios partidos. Fumaça flutuava da boca dele, dando ao seu rosto um efeito indistinto. Tudo o que eu podia pensar enquanto olhava para ele era em como o chão no qual ele estava deitado de costas tão casualmente estava coberto de chiclete velho e mastigado.
Nojento.
“Ei, Levi,” ele disse, me passando o cigarro. “Nós vamos para aquele encontro da fogueira que o treinador Smith está dando hoje à noite?
Como só faltavam duas semanas de escola, o treinador Smith pensou que ele podia ser legal e dar um encontro em volta da fogueira para os veteranos da Escola Shiganshina. Eu não tinha planejado ir, mas não teria nada melhor para fazer essa noite. Essa cidade era tão pequena que era quase inexistente.
Enquanto pegava o cigarro dele, eu disse, “Pode ser.”
Ele se sentou, um sorriso aparecendo no rosto dele. “A Petra vai.”
Eu gostava de deixar o Jean acreditar que eu era a fim da Petra, uma bela cabeça vermelha com grandes olhos de âmbar. Ela e eu tínhamos um longo passado, já a conhecia bem antes de ser um fodido. Eu a considerava uma boa amiga, alguém com quem podia contar, mas isso não significava que eu sentia alguma coisa por ela. Ela era só uma amiga, mas se eu contasse isso para Jean, ele nunca ia calar a boca sobre isso.
“É,” eu disse, deixando o cigarro rolar pela minha língua. O sabor forte de cravo prendendo na minha garganta, complementando a fumaça que agora queimava meus pulmões.
“Apesar de que, acho que ela vai trazer aquela criança.”
Aquela criança da qual Jean se referia era o filho de Grisha Jaeger. Grisha se tornara o próprio médico familiar de Shiganshina mais cedo este ano. Ele arrumou um velho prédio na Estrada Ray, pregou ‘Jaeger Medicina Familiar’ na frente, e foi bem recebido na comunidade dessa cidade de merda de braços abertos. O hospital mais próximo era em Trost, umas boas duas horas na estrada, então não era surpresa que todos os locais estavam felizes de ver um médico fixar residência aqui.
“E daí?” Eu disse.
“Eu não sei. Só vai ser um impedimento com ele por perto.”
Eren, esse era o nome do menino, estava preso a uma cadeira de rodas. Petra havia me dito que não havia nada de errado com as pernas dele. Esse não era o motivo para a cadeira de rodas. O motivo eram seus pulmões. Ela não sabia dos detalhes ou da severidade dos problemas de saúde dele, mas mesmo o simples ato de andar era demais para o menino. Ele perdia o fôlego facilmente, então para conseguir circular por aí sem problemas, ele usava a cadeira de rodas.
“Você nem vai ter que fazer coisa alguma,” Eu disse a ele. “Petra vai empurrá-lo.” Ela havia tomado gosto por Eren, disse que ele era legal. Eu sabia que a incomodava que ninguém havia se amigado com ele devido a sua forma de transporte.
Jean encolheu os ombros. “Que seja, então.”
O sino tocou e eu dei uma última tragada no cigarro antes de devolver para ele. “Apaga essa merda.”
“Por que a pressa?” Ele soltou outra nuvem de fumaça. “O treinador vai ser capaz de sentir o cheiro em nossas roupas de qualquer jeito.”
“Só apaga,” eu disse.
Ele largou o cigarro no chão e esmagou com o sapato. “Feliz?”
Eu não respondi para ele. Ao invés disso, eu andei em direção ao nosso quarto período, que era educação física com o treinador Smith. Ele era um homem monstro e um dos poucos adultos nessa cidade que eu não desprezava completamente. Isso tinha muito a ver com o fato de ele ter me tirado de problema mais vezes do que eu me importava em admitir. Ele era a única pessoa que sabia que o Kenny, meu tio inútil, tinha mais ou menos me abandonado.
Quando Jean me alcançou, ele jogou o braço pelos meus ombros. “Você acha que vamos arrumar uma transa hoje à noite?”
Transar era tudo no que Jean pensava. “Não estou querendo arrumar uma transa.”
“Ás vezes eu me pergunto sobre você,” ele disse. “Então que tal você me ajudar, heim?” Ele mexeu as sobrancelhas.
“Não.” A última coisa que eu queria fazer essa noite era ajudá-lo a perder a virgindade para uma garota que ele nem gostava.
“Voce é o pior wingman.”
Eu o empurrei. “Eu não sou seu wingman.”
“Você não precisa me dizer isso.”
        (x)
          Depois da escola, eu me vi ajudando Petra a colocar a cadeira de rodas de Eren na traseira de sua caminhonete. Ela se oferecera para levá-lo em casa para deixar sua mochila antes de irmos para a praia para a reunião da fogueira.
Enquanto trabalhávamos, ele sentava no banco de passageiros, levantando a cabeça de vez em quando para checar nosso progresso. Ele tinha esses olhos que exigiam minha atenção. Eles eram grandes e bonitos pra caralho, como esmeraldas que brilhavam sob o sol do verão. Sempre que ele olhava pra mim, eu meio que olhava bem dentro deles. Eu sabia que o pegava desprevenido, porque ele mergulhava rapidamente de volta para a cabine da caminhonete.
“Ele é muito tímido,” Petra me disse depois que nós finalmente conseguimos arrumar a droga da cadeira de rodas. “Mas ele é tão legal.”
“Okay,” Eu disse a ela, porque o quê mais eu poderia dizer àquilo? Eu não me importava em me familiarizar com ele. Em duas semanas, eu estaria caindo fora de Shiganshina. Sem necessidade de fazer novos amigos, ou ao menos tentar fazer. “Nós voltaremos depois de deixar as coisas dele, certo?” Jean, sendo o idiota estúpido que era, tinha pegado detenção por ter arremessado um lápis na Sra. Brzenska, então teríamos que fazer duas viagens para buscá-lo.
“É.” Ela sorriu, escorregando da traseira da caminhonete para empurrar a tampa traseira. “Eren não mora muito longe, então não devemos demorar.”
“Certo,” Eu disse.
Quando eu andei para o lado do passageiro, Eren se moveu para o meio do assento do banco. Ele se agarrou a sua mochila verde de caçador como se esta fosse um salva-vidas e se recusou a olhar em minha direção enquanto eu escalava para o assento ao lado dele. Eu fechei a porta um pouco forte demais, o que o fez pular.
Cara, o menino estava nervoso.
Ele pareceu relaxar quando Petra se juntou a nós. Ele até lhe deu um sorrisinho enquanto ela iniciava a caminhonete.
“Meu iPod está bem aí,” ela disse a ele, apontando para um iPod touch amarelo que estava guardado no compartimento abaixo do som do carro. “Você pode colocar o que você quiser, Eren.”
“Ah.” Ele pareceu envergonhado, mas pegou o iPod mesmo assim. Eu podia dizer que ele não queria escolher uma música pelo jeito que ele ficava passando por toda a lista de reprodução dela. Então, para ajudá-lo, eu me inclinei para o lado e toquei na tela. Uma lenta melodia saiu dos alto-falantes e parecia meio sexy.
Petra começou a cantar junto com a vocalista, aparentemente inconsciente do tumulto interno de Eren. Ele estava corando, bochechas indo de um leve bronzeado para um vermelho profundo em exatos cinco segundos. Por alguma razão, eu achei aquela visão atraente.
“Eu amo essa música,” Petra disse, balançando de um lado para o outro enquanto batucava os dedos no volante.
“O Eren também,” eu comentei, e então percebi que tinha acabado de provocá-lo.
Wow. Não.
Eren se atrapalhou com o zíper de sua mochila, olhando para esta como se fosse algo grandioso a se contemplar. “Hum, é boa.”
Eu decidi acabar com o tormento dele puxando o dispositivo eletrônico da sua mão. Eu coloquei uma música da Garbage e ele relaxou visivelmente quando as letras consistiam de leite e cozinhas vermelho-quente.
“Esse é o Levi, a propósito,” Petra disse depois de um tempo. “Se ele parece um babaca, é porque ele é um babaca.”
Eu me inclinei para frente para poder encará-la passando o garoto que agora estava colocando uma expressão de ah-merda, de olhos arregalados. “Foda-se você também.”
Ela riu. Era um som leve e feliz. “Nós somos melhores amigos, Eren, então eu posso provocá-lo. Certo, Levi?”
“É, claro,” Eu murmurei, dando cotoco a ela.
Eu deixei ela ter uma boa visão do meu dedo do meio antes de virar minha cabeça para olhar para for a da janela. O céu estava cheio de nuvens escuras e agourentas que bloqueavam o sol, nos dando uma luz cinza e enfraquecida. Confie no treinador Smith para lançar um encontro de fogueira em uma noite, que choverão vacas. Como isso poderia ser divertido?
Shiganshina era uma porcaria.
Quando Petra virou em uma rua chamada Stewart, Eren começou a se agitar. Ele ficava olhando para frente pelo para-brisas com uma expressão nervosa no rosto. Eu não conseguia descobrir qual era o problema dele até que seus olhos viraram rapidamente para a traseira da caminhonete, e então tudo se encaixou. Ele não queria que nós descarregássemos a cadeira de rodas dele só para que ele pudesse deixar sua mochila.
“Me dá isso aqui, droga,” eu disse, puxando a mochila do abraço dele. “Não precisa ficar aí cagando tijolos. Você poderia ter apenas pedido”. Ele abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. “Precisa de alguma coisa da sua casa? Um casaco? Uma sombrinha? Um par de bolas?” Por que eu estava implicando com essa criança? Eu nem conhecia ele. Droga.
A visão que aquela última frase me garantiu, no entanto, foi impagável. Ele parecia perplexo, nada além de palavras inacabadas saindo de sua boca. Então aqueles lábios se esticaram em uma linha fina e aqueles olhos pousaram em meu rosto. Eles estavam praticamente brilhando com uma paixão que me deixaram sem fôlego.
“Eu tenho bolas,” ele declarou seriamente, amuando. Ele bateu nas próprias pernas algumas vezes com os punhos cerrados. Isso me fez querer rir, porque ele parecia um gatinho irritado perseguindo um fio de lã que simplesmente não conseguia pegar.
Isso era meio adorável.
“Bom pra você,” eu disse, oferecendo a ele um sorriso torto pelos seus esforços.
Petra ignorou nossa conversa, reduzindo a velocidade da caminhonete para espiar os números das casas adornando cada caixa de correio preta por qual passávamos. “É essa?” Ela perguntou enquanto parava em frente a uma casa de dois andares que parecia uma casa que você veria no programa Foi Sem Querer.
Eren assentiu. “É, é essa.”
“Eu vou ter que lidar com o Dr. Jaeger?” Eu perguntei enquanto abria a porta com um empurrão. Ele balançou a cabeça, metendo a mão no bolso da frente de seus jeans para tirar um chaveiro que tinha uma variedade de chaves. Ele jogou-as para mim. “Okay então. Volto já.”
“Espera,” Eren disse. Eu me virei para ele. “Uh, tem um tanque de oxigênio na entrada. Está em um carrinho de aço. Se importa de trazer?”
Bem, os pulmões do menino realmente eram uma merda. “Claro.”
Depois que eu pulei da caminhonete, eu contornei o capô para subir o caminho de pedra que levava à porta da frente. Quando a alcancei, eu me atrapalhei com o chaveiro por cinco segundos antes de ver que todas as chaves tinham etiquetas nomeadas. Eu revirei os olhos, escolhendo aquela com o rótulo CASA.
Dando um passo adentro, eu fui pego pela forte fragrância de canela. Eu não precisava olhar longe para encontrar a fonte. Havia uma tigela decorada com pinhas perfumadas pousada sobre uma mesa verde de entrada.
Eu enruguei meu nariz, ignorando-as enquanto olhava em volta em busca de um carrinho de aço. Ele estava empurrado contra a parede à minha direita, enfiado embaixo de uma chapeleira. Eu dei um passo e peguei a alça, puxando-o do canto enquanto casualmente deixava a mochila de Eren no lugar. Então eu saí da casa dele com cheiro de canela, tranquei a porta da frente com suas estúpidas chaves rotuladas, e puxei o carrinho do tanque de oxigênio atrás de mim enquanto marchava de volta para a caminhonete de Petra.
“Você precisa disso?” Eu perguntei para Eren enquanto abria a porta de passageiro. “Ou eu posso só jogar isso lá atrás?”
“Você não pode jogar tanques de oxigênio”, Petra disse com um rolar de seus olhos. “Só coloque o carrinho na traseira, mas deixa o Eren segurar o tanque.”
Eu fiz uma careta. “Eu pareço a droga de um lacaio?”
Eren murmurou, “Desculpa,” bem quando Petra disse, “Você se ofereceu.”
Ao invés de fazer qualquer tipo de argumento, eu fiz o que ela me disse para fazer, ansioso para estar de volta a estrada. Pelo tempo, Jean provavelmente estava fora da detenção. Não que eu me importasse que ele tivesse que esperar por nós. O idiota sabia que era melhor não jogar um lápis em um professor. O que infernos ele estava pensando? Ou melhor, ele ao menos estava pensando? Eu apostaria todo o dinheiro que tinha que não estava.
Mais ou menos quinze minutos depois, estávamos de volta a escola, que era um prédio feio de tijolos vermelhos que parecia tão velho quanto o tempo. Petra estava parando no estacionamento do lado do auditório. No momento que Jean avistou a caminhonete, ele correu em nossa direção, jogando sua bolsa carteiro na traseira. Quando ele se livrou dela, ele escancarou a porta do passageiro, dando uma olhada na disposição dos assentos antes de se jogar em cima de mim.
“Seu idiota,” Eu murmurei, batendo meu punho na costa dele.
Ele sorriu ironicamente para mim. “Vai chover, morde-bunda. Eu não vou me molhar.”
“Então você decidiu enterrar o rabo no meu colo?”
“Isso aí! Quero dizer, qual é a porra do sentido de se ter um melhor amigo se você nem pode enterrar o rabo no colo deles uma vez ou outra? Estou certo?” Ele se virou para Petra, esperando uma confirmação.
Ela apenas deu um olhar apologético para Eren pelo nosso comportamento. “Não se preocupe. Você vai se acostumar.”
Eren chegou mais perto dela. “Okay,” foi tudo o que ele disse.
Petra dirigiu para for a do estacionamento depois disso, e Jean aumentou a música para um volume absurdo que fez a caminhonete inteira vibrar. Enquanto ele se inclinava para trás, satisfeito com seu trabalho, eu senti o cheiro de cigarros e colônia barata que se agarrava à sua blusa bege de botões. O cheiro teria me incomodado, se eu não estivesse tão acostumado a ele agora. Jean e eu éramos amigos há muito tempo. Não havia nada sobre ele a que eu já não estivesse acostumado.
“Estou com tanta fome,” ele disse, derrubando a cabeça para trás em meu ombro. “Eu culpo você, Levi. Você me corrompeu com cigarros. Agora eu nem almoço.”
“Não fui eu quem roubou aquele maço do seu pai,” eu disse a ele. “E isso não é meu?” Eu agarrei o cordão de couro que estava pendurado no pescoço dele.
“Você nunca usa ele.” Ele pegou o pingente de asa preta que balançava nele. “E mais, você deixou isso na minha casa, então você basicamente me deu acesso a ele.”
Eu empurrei ele pra frente. “Eu vou enforcar você com isso.”
“Será que vocês dois poderiam ficar quietos?” Petra disse. Ela baixou o vidro da janela do lado do motorista para levantar o braço para fora. “Como pode estar tão frio? É quase verão.”
Verão não existia em Shiganshina. Sério. Havia quatro tipos de clima aqui: chuvoso, tempestuoso, ventoso e neve. Não havia nada entre eles. O que era o motivo de eu não entender porque o treinador Smith pensou que seria uma boa ideia fazer uma fogueira na praia. Ele tinha morado nessa cidade a vida toda, então ele deveria saber que não adiantava esperar que o sol brilhasse sobre nós hoje.
“Você diz isso como se não morasse aqui há tanto tempo,” Jean disse. “Shiganshina exige permanente status agasalhado, cara.” Ele se virou para Eren. “Bem-vindo ao inferno.”
Eren engoliu. “N-Não parece tão mau.”
“Só espera. Você nunca verá o sol novamente.”
Eren parecia como se alguém acabara de cortar o barato dele. Ele havia caído para frente, os cabelos castanhos caindo desordenados sobre seus olhos, que agora estavam abaixados. Enquanto olhava para ele, eu me perguntava por que o pai dele escolheu se mudar para Shiganshina dentre todos os lugares. Eren era a personificação do verão: a estação mais quente do ano.
“Você parece com o verão,” Eu disse a ele. No instante que as palavras saíram da minha boca, eu não podia entender por que as dissera.
Aqueles olhos sedutores deslizaram sobre meu rosto. “Como é que o verão ao menos se parece?”
“Caloroso.”  Quente, grudento, suado,  molhado, Eu adicionei mentalmente.  
Ele deixou escapar uma risadinha. “Mas eu estou com frio.”
“Idiota,” Eu disse. “Eu lhe perguntei se precisava de alguma coisa da sua casa.”
“Eu odeio cortar essa conversa incrivelmente gay,” Jean interveio, “mas nós chegamos.”
Petra me deu um sorriso torto que eu escolhi ignorar em favor de olhar Eren parecendo como se tivessem acabado de lhe arrancar o ar. Julgando pela sua reação, ele tinha levado o comentário de Jean sobre gays a sério. Então, querendo me divertir um pouco com ele, eu me inclinei na direção dele e disse, “Se você está com frio, eu sempre posso lhe aquecer.”
“N-não,” ele respondeu de imediato. “Estou bem.”
Eu segurei uma risada. “Eu estou sacaneando com você, Eren. Relaxa. Você parecia até que tinha algo enfiado no rabo.”
Como ele já estava da cor de um tomate maduro – ele estava realmente corando tanto assim – eu decidi dar um tempo a ele, por enquanto. Eu escorreguei da caminhonete, dando a volta para a traseira para ajudar Petra a descarregar a cadeira de rodas de Eren. Uma vez que a tínhamos pronta, Petra empurrou-a até o lado do passageiro e eu os deixei sozinhos para alcançar Jean, que já descia o caminho que levava à praia.
Quando eu estava no ritmo com ele, ele disse, “Eu vou comer, porque nós sabemos que o treinador Smith trouxe algo de comer, e então eu vou tentar arrumar uma transa.”
“Com quem você vai tentar fazer sexo?” Eu perguntei. “Aqui estão todas as cinco garotas que vão para a Escola Shiganshina: duas sendo lésbicas, uma já tomada, a outra sendo Petra. Isso lhe deixa a Anne.” Eu sabia de fato que a Anne não iria nem cutucá-lo com uma vara de quinze centímetros, ainda mais deixar que ele sacasse seu pinto perto dela.
Ele gemeu. “Você está certo. Não tem solução. Eu vou só me empanturrar com porcarias e desmaiar na praia.”
“Se você acha que eu vou lhe carregar até a caminhonete, pense de novo.”
Ele acotovelou meu braço, levantando uma sobrancelha. “Vamos, bebê. Me carregue até a caminhonete.”
“Não mesmo,” Eu disse, empurrando-o para longe de mim.
Não foi difícil enxergar o treinador Smith uma vez que chegamos à praia. Ele tinha acendido uma fogueira do tamanho de uma estante alta. Haviam cinco crianças reunidas em volta dela e eu as conhecia como a palma da minha mão. Eu havia crescido com quase todo mundo que morava nessa cidade.
Connie se afastou de sua namorada, Sasha, para vir nos cumprimentar. “O treinador Smith está fazendo s’mores,” ele disse, segurando um levantado para que pudéssemos ver. “Venham e peguem um antes que a Sasha coma todos eles.”
Para isso, Sasha deu um largo sorriso. “Vocês sabem que eu vou.”
Doces não eram do meu gosto, então eu acenei para que Jean fosse na frente e caminhei até a margem da praia sozinho, afundando as mãos nos bolsos do meu casaco azul marinho em uma triste tentativa de mantê-las aquecidas. O mar parecia escuro e hostil, um paradoxo aparentemente infinito. Ele me assustava, o oceano, porque havia tanto dele que ainda não for a explorado. O que permanecia lá no fundo era desconhecido, um mistérios para nós terrestres.
“É tão bonito,” uma voz baixa disse em reverência de trás de mim.
Eu me virei para ver Eren, um pequeno ponto de calor e cor contra o horizonte cinza. A respiração dele saia em ciclos curtos, o peito subindo e descendo em um ritmo acelerado. “Você está bem?” Eu perguntei.
Ele assentiu, sorrindo brilhantemente. Então ele levantou os braços, deixando a cabeça cair para trás enquanto seus olhos se fechavam. A brisa soprou o cabelo dele para trás e ele pareceu incrivelmente feliz, a personificação do verão. “Ei,” ele disse. “Eu posso tirar uma foto sua?”
“Com que câmera?” Da última vez que eu checara ele não trouxera nada com ele além e seu tanque de oxigênio.
“Essa.” Ele se virou em sua cadeira para abrir uma pequena bolsa que pendia dos punhos desta. Parecia um velho naco de metal. “É uma câmera de filme. Eu realmente gosto de fotografia de filme.”
Eu me virei para o mar. “Eu não gosto de fotos.” Elas eram permanentes, capturando um momento que passaria e acabaria em um segundo.
“Eu não mostro elas pra você, então,” ele disse. Uma série de cliques seguiram e eu suspirei. A sessão de fotos não durou muito tempo, no entanto, por que ele de repente irrompeu em um acesso de tosse.
“Droga,” Eu resmunguei baixo, tirando meu casaco antes de andar até ele e jogá-lo sobre seus ombros. “Pronto. Você está bem agora? Parecia que você estava prestes a tossir um pulmão pra fora.”
Ele puxou meu casaco para mais perto de seu corpo, sorrindo. “Estou bem.” Ele olhou através de mim para o oceano. “Eu não consigo superar o quão bonito isso é. Eu poderia ficar aqui o dia todo.”
Eu queria dizer a ele que a única coisa bonita naquela cidade esquecida por Deus eram aqueles olhos inacreditáveis dele, mas ao invés disso eu só me virei de volta para a visão que havia capturado sua atenção.
Mais duas semanas, e eu nunca mais colocaria meus olhos naquela praia novamente. Eu entraria em um ônibus que me levaria para longe daqui, e nunca mais olharia para trás. As únicas pessoas com as quais planejava manter contato eram Petra e Jean. Todos os outros nessa cidade logo seriam esquecidos.
“Obrigado, a propósito,” Eren disse em uma voz baixa, puxando o capuz do meu casaco sobre sua cabeça. Mesmo nesse clima frio, ele ainda conseguia parecer aconchegado e caloroso. “Isso cheira bem.” Ele riu, se aconchegando dentro de meu casaco com uma expressão de satisfação.
          Eu esquecerei de você também, Eu pensei, mesmo quando não podia tirar meus olhos dele.

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E aí, gente? Que tal o primeiro capítulo? Espero que tenham gostado. Deixem um comentário! Podem direcionar o comentário à autora também, se quiserem, que eu passo a mensagem pra ela. Ou vocês mesmos podem mandar a mensagem pra ela! É só procurá-la no Instagram por @levi.eren_ , ou comentar no AO3 ou wattpad. ^^/

Até mais gente!

Lena Jaeger.


7 Comentários

  1. Comecei hj...
    Vamos ao proximo cap...
    <3
    P'Phil

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  2. Comecei ler hoje já gostei da história tomara que nao tenha final triste

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  3. amei amei, eu espero mesmo não ter que acabar essa história que já me encantou com lagrimas

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