Oi oi oi, povo! Estou adiantando os capítulos de Chasing Summer que eu já tenho traduzidos pra vocês. Espero que gostem. ^^
Um detalhe: Eu estou mantendo as notas feitas pela autora do jeito que elas aparecem no AO3, se vocês acharem que fica... ruim, me avisem, ok?
É isso. Vão ler! =D
Lena Jaeger.



Capítulo 3: Despertar

Resumo:
Na fraqueza ou na força, mudar pode ser incrível
Notas da autora:
Eu quero esclarecer umas coisas, já que estamos nos estágios iniciais dessa fic. Essa fic vai conter ambos Ereri e Riren. Se você não entende o que isso significa, basicamente Levi vai ser ativo e passivo. Eu amo esse casal. Eu realmente não me importo com quem penetra quem, então por favor sem comentários rudes. Se você não gosta disso, então por favor mantenha para si, já que você não é obrigado(a) a ler isso. A razão pela qual estou falando isso é porque já li fics onde o Eren é o ativo e alguns leitores deixam comentários desagradáveis e desnecessários sobre isso. Não vamos por aí, ok? Por favor e obrigada.
Tendo dito isso, vamos mudar de assunto. Eu estou tentando ser mais ativa na minha conta do Tumblr, então se alguma vez você quiser falar sobre o meu trabalho comigo, ou se tiver qualquer pergunta, você pode me procurar .
(Veja o fim do capítulo para mais notas.)

Em algum momento no meio da noite, eu vaguei de volta para a sala de estar em busca de calor. Ainda estava chovendo lá fora, raios riscando o céu noturno, mergulhando a sala em luz branca. Por algum tempo, eu apenas fiquei sentado em frente ao fogo, olhando pela janela para assistir a tempestade de uma distância segura.
Eu não lembro de ter cochilado, mas quando acordei novamente, Eren estava sentado no sofá com os cabelos para cima apontando em todas as direções possíveis. O cobertor verde que eu tinha lhe dado estava puxado em volta de seu tronco como um ninho, cobrindo suas pernas, que agora estavam escondidas embaixo de si. Com tudo, ele parecia ridiculamente adorável para alguém com um cabelo terrivelmente desgrenhado, e eu meio que só fiquei ali deitado no chão olhando para ele.
Seu rosto estava virado para a janela, me dando uma boa visão de seu perfil. Ele tinha traços suaves, mas a linha da mandíbula era forte e acentuava seu queixo e lábios. O rosto todo dele era meio hipnotizante para mim, e se eu tivesse a habilidade de desenhar, eu o rascunharia em tons claros, mas eu não poderia desenhar nem que minha vida dependesse disso. Meu forte eram desenhos de palito.
Como eu continuei a olhar, ele de repente baixou os olhos em minha direção, pulando um pouco quando ele viu que eu estava acordado. “Oi”, ele disse apressado, a voz rouca do sono. “O trovão acordou você?”
“Não. A tempestade ainda tá rolando?” Eu me sentei, esfregando o sono dos olhos com os tenares das minhas mãos.
“É,” ele respondeu, “mas não está mais tão ruim como antes.”
Eu olhei para fora da janela. Ainda estava bem escuro. “Droga. Não dá nem pra dizer se é manhã ou não.” O sol não fazia seu trabalho antes das dez horas. Nessa hora que o sol oficialmente decidia iluminar as pessoas de Shiganshina.
“Eu acho que a energia voltou, se você quiser checar a hora.”
Eu levantei, meus membros duros e doídos da posição desconfortável em que havia dormido. Eu levantei os braços acima da cabeça, minhas costas dando um audível estalo quando me inclinei para o lado. Aquela era a última vez que eu dormia no chão.
Uma risadinha vinda de trás me fez olhar por cima do ombro. “Quê?”
Eren apontou para minha cabeça, um sorriso no rosto. “O seu cabelo está louco.”
Meu cabelo está louco? Você já viu o seu?”
Distraidamente, ele levantou as mãos para passar os dedos pela bagunça de mechas castanhas. Depois de um tempo, ele desistiu com um suspiro, largando as mãos no colo. “Você acha que minha cadeira de rodas sobreviveu à tempestade?”
“Quem sabe,” eu disse. “Assim que parar de chover, eu saio para checar. Mas agora, eu vou fazer um pouco de chá.” Eu levantei um dedo antes que ele pudesse perguntar. “Eu vou carregá-lo para a cozinha comigo, mas não faça disso um hábito.”
Ele mordeu o lábio, tentando esconder um sorriso que se recusava a ficar escondido. “Não vou. Prometo.”
“Jura por Deus?” eu brinquei, mas é claro que o imbecil foi e desenhou um X sobre o coração com o dedo indicador (Ver Notas de Tradução). Ele pareceu tão sincero que eu acabei tendo que cobrir um sorriso com minha mão. Eu fingi bocejar contra meu punho para que a ação fosse acreditável, mas ainda não foi muito convincente. Eren não pareceu notar.
Depois de levantá-lo em meus braços, ele perguntou, “Então, você está se formando esse ano?”
“É.”
Ele considerou isso, seus olhos se estreitando levemente. “Petra disse que você vai deixar a cidade depois da graduação, é verdade?” Quando ele falou as palavras, uma expressão estranha se formou em seu rosto. Parecia quase de expectativa. Mas o que ele poderia estar esperando de mim?
Eren ainda era um júnior, então ele estaria aqui com Petra e Jean por mais um ano enquanto eu estaria fora me arranjando em um novo lugar. Ele não se sentiria preso como eles, no entanto. Essa cidade era boa para ele.
“É verdade,” eu disse.
“Ah.”
Silêncio. Os braços em volta no meu pescoço folgaram, mas não dei nenhuma atenção a isso. Eu mantinha meu olhar treinado para frente, focando no pensamento sobre o chá, e não no corpo morno pressionado contra o meu. Eren era uma das poucas pessoas que eu conhecera que cheirava bem pela manhã. Eu percebi que o cheiro saindo da camisa que eu tinha lhe emprestado era inteiramente dele, sua própria e única fragrância que fez eu querer me inclinar e sentí-la na pele dele.
“Eu não gosto muito de chá,” Eren disse quando entramos na cozinha.
Eu fiquei agradecido que ele me tinha dado uma distração de sua proximidade.
“Deixe-me adivinhar: Você está preso no suquinho?”
Ele enrugou o nariz, me olhando feio. Ele não conseguia sustentar aquela expressão, parecendo mais um esquilo irritado que qualquer outra coisa. “Eu não tenho cinco anos. Você é só um ano mais velho que eu.”
“Verdade, mas eu não bebo mais suquinho, nem como MacLanche Feliz no McDonald’s. Você ainda fica empolgado com o brinquedo que vem dentro?”
“Não,” ele resmungou, parecendo na defensiva. “Eu nem gosto de McDonald’s.” Um bico se formou nos lábios dele e eu achei incrivelmente difícil não estender minha mão e passar meu polegar sobre ele.
Eles seriam tão macios quanto pareciam?
Tentando juntar meus pensamentos espalhados, eu o sentei na ilha da cozinha, minhas mãos permanecendo nos quadris dele. Mesmo através do tecido da minha camisa, eu podia sentir o calor da pele dele. Eu tive esse terrível desejo de empurrar o material para o lado, mas então o som de mais alguém entrando na cozinha me trouxe de volta à realidade, e eu tirei minhas mãos da cintura dele como se o contato me queimasse.
Eu recuei vários passos antes de me virar. Jean estava se inclinando contra o balcão, esfregando os olhos com punhos fechados. Quando ele baixou as mãos, ele disse, “Por que diabos vocês estão de pé no meio da noite?”
“Você nem sabe que horas são,” eu retorqui, agradecido de ele estar cansado demais para perceber minha aparência afobada.
É isso o que ganho por evitar todo e qualquer contato sexual. Eu tinha negado todo mundo que fizesse qualquer aproximação, determinado a me esgueirar dessa cidade sem ter laços com qualquer pessoa além de Petra e Jean, porque eles estavam a bordo. Eles queriam sair deste lugar tanto quando eu, mas agora alguém novo estava aqui para estragar tudo com seus olhos deslumbrantes e lábios beijáveis. Eu nem mesmo me importava que tinha um pênis dentro daquelas calças de pijama que deixara ele emprestar. Não importava nem um pouco que ele era mesmo um cara.
Wow. Okay. Isso era demais para aguentar de uma só vez. Eu estava tendo algum despertar sexual, ou alguma merda assim?
Deus me ajude.
“Se você não vai fazer café,” Jean disse, me empurrando para longe do balcão para que ele tivesse acesso à cafeteira, “Eu vou.”
“Levi queria chá,” Eren interrompeu, chamando minha atenção de volta para ele.
Suas mãos estavam do lado do seu corpo, segurando na beira do balcão enquanto ele balançava as pernas. Ele parecia inocente, puro e intocado. Eu me perguntei se alguém já tinha beijado ele alguma vez, já tinha provado aqueles lábios, ou sentido a pele macia escondida sob minha blusa.
Eu percebi, no momento que aqueles olhos encontraram os meus, que eu adoraria ser o primeiro.
Jean limpou a garganta, me imobilizando com um olhar esperto. “Ah, não se preocupe Eren, eu vou fazer um pouco de chá pro seu precioso Levi. Certo, querido?” Ele deu tapinhas na minha bochecha, sorrindo ironicamente como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.
“Eu vou te dar uma joelhada nas bolas,” eu disse a ele, tentando parecer impassível. Não funcionou.
“Você não pode machucar bolas de aço, bebê.”
“Essa não é a primeira coisa que quero ouvir pela manhã,” Petra disse, entrando na cozinha. Diferente do resto de nós, ela não parecia como se tivesse acabado de voltar de uma noite no inferno. Conhecendo ela, ela já tinha penteado os cabelos e escovado os dentes. “Que horas vocês têm trabalho hoje?”
Eu fitei ela, ignorando o nó que tinha se formado no fundo do meu estômago. “Onze.”
Desde o verão passado, Jean e eu estávamos trabalhando na oficina de carros do treinador Smith. O pagamento não era bom, mas não foi por isso que aceitamos o emprego. Nós queríamos ganhar experiência, aprender como era a sensação de trabalhar duro pelo dinheiro que recebíamos. Isso também nos tirou de muitos problemas com o xerife Flagon, então tinha isso também.
“Eu vou preparar café da manhã para vocês antes de saírem, então,” Petra disse enquanto tirava alguns ingredientes da geladeira. “Ah, e Eren, você provavelmente deveria ligar para o seu pai já que passou a noite aqui. São oito horas, então você pode alcançá-lo no trabalho.”
O olhar de pânico que passou pelo rosto de Eren foi cômico até o momento em que o idiota decidiu que seria uma ideia fantástica pular da ilha. Eu estava longe demais para alcançá-lo quando ele tropeçou (não que eu não tivesse tentado), mas Jean estendeu a mão bem a tempo, estabilizando-o enquanto ele vacilava para o lado.
Uma vez que ele recuperou seu equilíbrio, Jean disse, “Vai devagar, speed racer. O telefone não vai a lugar algum.”
“Onde fica o telefone, falando nisso?” Eren perguntou, olhos voando da esquerda para a direita.
Jean apontou para o telefone na bancada. Era o único celular que tínhamos e quase nunca o usávamos.
Enquanto Jean entregava o celular para ele, eu comecei a fazer o chá com mãos que não paravam de tremer. Como alguém que eu acabara de conhecer podia me perturbar desse jeito? Eu decidi ali e naquele momento que era melhor eu ficar bem longe de Eren Jaeger. Eu só tinha mais catorze dias antes que eu deixasse a cidade. Era tempo suficiente para superar esse súbito ataque de atração sexual por ele.
É, isso não era nada além de um pequeno retrocesso. Eu superaria esse sentimento, e estaria bem para ir embora. Eu deixaria ele para trás e nunca mais veria aqueles olhos bonitos de novo.
O tempo todo que Petra esteve cozinhando ovos e bacon, eu sentei sozinho à mesa cuidando da minha bebida. Chá era muito melhor que café. Tinha um gosto suave que não permanecia na minha língua. Também era confortante, o que era exatamente o que eu precisava agora. A sensação crua no meu estômago não tinha passado. Na verdade, ela intensificava toda vez que meus olhos encontravam Eren, que agora estava conversando sem rumo com Petra enquanto ela colocava ovos mexidos em um prato.
Quando ela colocou o prato na minha frente, me dando um olhar que me dizia para comer tudo, eu suspirei e peguei o garfo que ela colocara do lado. Eu não tinha nem um pouco de fome. Meu corpo estava tão quente, um desconforto pungente do qual eu não podia me livrar.
Eu sabia que era jovem. Merda, eu só tinha dezessete, mas quando Jean entrou na puberdade e começou a atacar tudo que tivesse pulsação, eu ri dele por deixar que seus hormônios governassem cada um de seus movimentos. Agora, era minha vez. Eu não tinha sentido nada por ninguém por um bom tempo, mas essa atração que eu sentia pelo Eren era estranha, novo e assustadora. Especialmente por ele ser um cara, e eu não sabia que era gay até cinco minutos atrás.
Mastigando um pedaço de torrada, eu deixei meus olhos vagarem para a esquerda, onde ele estava sentado perto de Petra. Ele levava uma caneca à boca, o rosto enrugando quando provou o chá. Era uma reação tão inocente que eu sorri dele. Ele não viu isso, muito concentrado na bebida para prestar atenção em mim, muito distraído para ver que eu estava quase me abrindo em uma risada.
“Caralho,” Jean disse. Todos os nossos olhos voaram para ele. “Eu não sabia que o apocalipse tava marcado pra hoje.”
“Ãh?” Petra questionou.
Ele apontou para meu rosto. “Levi estava sorrindo agora mesmo.”
“Truque da luz,” eu murmurei.
Ele gesticulou para nossa volta. “Que luz? Tá escuro lá fora.”
Ao invés de lhe oferecer qualquer tipo de resposta, eu empurrei minha cadeira e saí da cozinha sem um olhar para trás. Eu não parei até estar seguramente escondido no banheiro de Petra. Então eu tirei minhas roupas e entrei na banheira, abrindo a água e focando toda a minha atenção no jato frio que saía do chuveiro. Ele não fez nada para suprimir o calor instigante dentro do meu corpo.
Porra. Foda-se tudo.
Eu me esfreguei com força, minhas mãos passando sobre minha parte de baixo com muita frequência para ser considerado um lapso de movimento. Era tentador aliviar todas essas frustrações reprimidas, mas não. Eu não faria isso. Fazer isso significava aceitar que eu queria Eren, e eu não queria. Ele era só um rosto bonito, nada mais.
Quando terminei meu banho, me sequei e vesti qualquer roupa que pude encontrar, que aconteceu de ser uma camiseta preta grande demais e os jeans que eu vestira mais cedo. Eu não queria voltar para a cozinha, então calcei meus sapatos e fui para fora.
Tudo estava molhado, meus pés chapinhando na sujeira até eu alcançar a caminhonete de Petra. Eu olhei para dentro da carroceria para ver que a cadeira de rodas de Eren estava encharcada, e eu sabia que o tecido ia deformar uma vez que secasse. A bolsa mensageiro de Jean também estava arruinada.
Bem-vindo à Shiganshina.
Foi enquanto eu estava inspecionando o estrago quando Jean saiu. “Pronto pra ir?” ele perguntou, andando a passos largos até mim. “Petra disse que podemos levar a caminhonete dela. Só tem que tirar a cadeira de rodas do Eren.”
“Quem vai levar ele pra casa?”
“O pai dele vem buscá-lo daqui algum tempo. Por que? Preocupado com seu namorado?”
Eu cerrei meus dentes, minha mandíbula apertando dolorosamente. “Cala a porra da boca e me ajuda a tirar essa cadeira.”
“Alguém está sensível hoje, caramba,” ele disse, subindo na carroceria da caminhonete. “Ah, porra!” Ele tinha encontrado sua bolsa. “Isso é esplêndido.”
“Foi você quem deixou isso aí atrás.”
“Eu esqueci dela. Bem, não adianta ficar mordido com isso agora.” Ele se inclinou e levantou a cadeira de rodas, sacudindo ela para tirar qualquer excesso de água da chuva. Quando terminou, ele passou as rodas pela lateral da caminhonete. “Pegou?”
“Já,” eu disse, segurando nos descansos de braço.
Depois de assentá-la na calçada, eu a empurrei até a porta da frente. Eu queria deixá-la ali na varanda, mas com um forte suspiro eu abri a porta e entrei. Petra e Eren ainda estavam na cozinha.
Bom.
“Estamos indo,” Eu gritei, cadeira de rodas seguramente depositada perto da porta.
“Até mais tarde,” Petra gritou de volta.
Eu ia pisar no lado de fora quando ouvi, “Tchau, Levi.” Era Eren, voz baixa e tímida.
Eu queria ignorá-lo, tinha toda a intenção de fazê-lo…
“Tchau, Eren,” Eu disse alto o suficiente para ele ouvir.
Que se foda minha vida.
(x)
Estar no trabalho era bom. Servia como uma muito necessitada distração, como o naco de metal pairando sobre mim. Esse velho carro-pedaço-de-merda estava aqui há semanas. Não era posse de um cliente, mas do próprio dono. Jean e eu trabalhávamos nele sempre que os negócios estavam devagar, que era o tempo todo. Essa cidade era pequena demais para ter uma abundância de carros circulando.
Eu virei minha cabeça para fitar Jean, que estava folheando um catálogo da Victoria’s Secret. “Ei, cara de cu, me passa a chave inglesa do lado da sua perna.”
Ele pegou a chave sem olhar. “Aqui, cheira-bunda.”
Eu peguei a chave dele, me virando para o serviço em mãos. “Você poderia ajudar.”
“Deus me livre.”
“Eu vou enfiar essa revista na tua bunda.”
“Nós dois sabemos que você preferiria enfiar algo na bunda do Eren.”
Clank.
Eu tinha derrubado a chave no meu rosto, que agora estava latejando. “Porra! Porra! Porra, seu cuzão!”
Jean jogou a revista de lado e me ajudou a sair de baixo do carro. Eu me sentei, pressionando uma mão no meu rosto, e encarei ele com todo o ódio que eu pude reunir. Pela primeira vez na maldita vida dele, ele não fez um comentário espertinho.
“Está tudo bem aqui? Eu ouvi um barulho.” Treinador Smith entrou na garagem segurando uma caneca de café. Ele deu uma olhada no meu rosto e disse, “Eu acho que já é o suficiente por hoje, garotos. Eu vou fechar a loja um pouco mais cedo. Ninguém está vindo.”
Eu me levantei, pronto para dar o fora, quando o treinador Smith indicou com o queixo na direção do escritório. “Posso falar com você por uns minutos, Levi?”
Era a última coisa que eu queria fazer, mas ele era meu chefe. Não é como se eu pudesse fugir.
Eu o segui para dentro do escritório, que era do tamanho de um cubículo. Tudo o que continha era uma escrivaninha, e um armário-arquivo. Não havia mais nada ali e as paredes haviam sido despojadas de qualquer coisa que tenha sido pregada nelas. Depois que sua esposa morreu, treinador Smith retirou qualquer e toda coisa que lhe lembrasse dela. Desde aquele dia, ele sempre parecia cansado, como se não pudesse dormir desde seu falecimento.
Sra. Smith tinha sido boa. Tinha sido ela quem convenceu Erwin a contratar Jean e eu, disse que éramos crianças boas que precisavam ser mostradas como as coisas eram feitas. Eu gostava dela. Ela era sempre muito gentil conosco, nos trazendo jantar e passando algum dinheiro extra quando o treinador não estava olhando.
Foi um dia triste quando ela faleceu.
“Sente-se,” treinador Smith disse, gesticulando para um assento em frente à sua escrivaninha. Depois que sentei, ele começou com, “A graduação está bem na porta.”
“Eu sei.”
“Ainda planejando sair de Shiganshina?”
“Sim.”
Ele baixou sua caneca na mesa de trabalho. “Eu sei que não posso mudar sua opinião sobre isso, então recentemente eu abri uma conta no banco em seu nome.”
Eu sacudi minha cabeça. “Não, Treinador—”
“Foi ideia dela,” ele disse, me cortando com um aceno da mão. “Ela tinha um fraco por você, e não é como se eu fosse sentir falta do dinheiro. Não há nada que você possa fazer para me convencer do contrário, então nos faça um favor e aceite.”
Eu queria discutir com ele, mas decidi o contrário. Ele parecia bem pior hoje. “Okay. Eu aceito então. Obrigado.”
“Não há de quê. Apesar do que você possa pensar, eu me importo com você tanto quanto ela se importava. Ela via algo bom em você, Levi, mesmo depois de todos os problemas que você causou nessa cidade. Eu não conseguia ver o que ela via por muito tempo, mas depois de um ano trabalhando com você, eu finalmente vejo.”
Essa conversa estava ficando sentimental demais para mim. “Uh…obrigado, treinador.”
Ele sorriu. “Ah, tudo bem. Eu posso ver que estou lhe deixando desconfortável, então vou deixar você ir. Mas primeiro”—ele abriu a primeira gaveta da mesa dele, pegando suas chaves do carro. Ele as jogou para mim—“vá abastecer meu carro.”
“Mas eu pensei que você tinha acabado de abastecer.” Eu levantei meus olhos para ele, confuso.
O sorriso se alargou. “Considere isso um presente de formatura. Vá dar uma volta essa noite. Divirta-se com Jean e Petra.”
“Você está me tirando agora, certo?” O carro dele era um Mercedes-Benz 190SL 1959  conversível. Você não acabou de deixar crianças idiotas como Jean e eu ar uma volta com ele pela cidade. Você não deixa ninguém dar uma volta nele.
“Não, estou falando sério. Vai em frente. Eu confio em você para não bater ele. Leve ele para o Pico de Gayle, que eu não me importo.”
“As pessoas vão para o Pico de Gayle para se agarrar.”
Ele me lançou um olhar. “Eu não quero saber o que vocês garotos fazem esses dias, apenas vá logo e traga o carro de volta ainda essa noite.”
Com uma expressão empolgada que eu não podia segurar, eu agradeci a ele e fui para o lado de fora, onde o carro dele estava estacionado. Parecia primitivo e legal pra caralho sentar lá. Eu não podia acreditar que realmente iria dirigi-lo. Alguém precisava me beliscar para me convencer de que era real.
Jean tinha me seguido para o lado de fora, e quando ele viu o que eu estava segurando, o queixo dele caiu. “Não!” ele disse. Eu assenti. “Sério?” Outro aceno. “ISSO! Vamos buscar a Petra. Rápido.”
“Tenha cuidado,” eu instrui enquanto abria a porta do motorista com veneração. Nós dois entramos ao mesmo tempo. Uma vez estabelecido e confortável, eu disse “Acho que acabei de ficar duro.”
“Eu também.”
Nós trocamos olhares, com sorrisinhos como completos idiotas. Então eu iniciei o motor, e os sorrisinhos viraram enormes sorrisos. Eu recuei o topo do carro, passei a marcha, e saí dirigindo para a casa de Petra. Realizamos todo o percurso fazendo gracinhas como tolos. Eu nem poderia imaginar como devemos ter parecido: dois garotos idiotas em blusas vermelhas de trabalho dirigindo por aí em um carro clássico.
Vinte minutos depois, nós paramos na frente da casa da Petra e Jean não perdeu tempo em se inclinar sobre mim para pressionar a buzina várias vezes. Quando a porta da frente de Petra abriu, ele abriu bem os braços, mostrando o veículo no qual estávamos dentro. Ela encarou por uns cinco minutos antes de se apressar para nos encontrar, um sorriso tão grande quanto os nossos estampado no rosto.
“Esse é o carro do treinador Smith?” Ela perguntou enquanto Jean a levantava para dentro do carro. “Oh, meu Deus! É! Como vocês conseguiram convencê-lo de deixar vocês dirigirem? Espera, vocês não roubaram ele, não é?”
“Não,” Jean disse, se juntando a ela no banco de trás.
“Presente de formatura,” Eu disse a ela. “Poder dirigir ele por aí por essa noite.”
Ela riu, passando o braço por cima dos ombros de Jean. “Bem, para onde vamos?”
Eu batuquei meus dedos no volante branco, mordendo meu lábio inferior, porque a única imagem que eu podia conjurar era uma de brilhantes olhos verdes. Mas eu não estava a ponto de confessar que eu queria convidar Eren, nem para mim mesmo. Ele estava provavelmente sentado em casa nesse momento, perdendo uma noite de sábado. Isso não importava. Nós não éramos amigos, e não iriamos ser.
Então por que eu não conseguia tirar a cara estúpida dele da minha cabeça?
“Quer convidar o Eren?” Petra perguntou como se lesse minha mente. “Ele não tem nenhum amigo, e eu aposto que ele está solitário agora. Ele me disse essa manhã que a noite passada foi a primeira vez que ele saiu com tantas pessoas.”
Jean ponderou o assunto. “Qual é, Levi. Até eu me sinto mal pelo garoto, e não aja como se não quisesse passar a noite com ele. Ele é seu verão pessoal e tal.”
“Cala a maldita boca,” eu disse. “Eu não gosto dele.” Eu não gostava. Me recusava.
“Que seja. Apenas vá buscá-lo.”
Sem dizer uma palavra, eu comecei a dirigir para a casa do Dr. Jaeger. Meu estômago não se aquietava, torcendo e virando como se quisesse que eu percebesse alguma coisa, mas não tinha nada o que perceber. Minhas palmas não estavam suadas. Meu coração não estava acelerando. E eu definitivamente não estava ansioso para ver aquela cara idiota.
Assim que eu parei na casa dele, meu estômago estava aceso com aborrecimento (borboletas). Eu fechei a cara para nada em particular, e não dei atenção a Petra quando ela pulou para fora do carro para correr até a porta da frente dele. Eu mantive meu olhar fixo no volante, ignorando o som denunciante da cadeira de rodas dele sendo empurrada pelo caminho até a calçada alguns minutos depois.
Quando a porta do passageiro foi aberta, eu virei minha cabeça para ver Petra ajudando-o a se sentar.
“Oi, Levi!” ele disse quando me notou olhando. Então seus olhos se arregalaram um pouco, sobrancelhas se unindo. “O que aconteceu com seu rosto?” Ele estendeu a mão, mas rapidamente a baixou para o lado do corpo.
“Não é nada,” eu expliquei.
Ele estava usando uma blusa azul de baseball e calças jeans, mas eu vi que ele tinha lavado meu casaco azul marinho e estava vestindo ele por cima de suas roupas. Eu encarei isso por um tempo, considerando provocar sobre isso, mas não pude proferir uma palavra de desafio, porque eu gostava que ele o estivesse vestindo.
Eu acho que gostava disso um pouquinho demais.
Eu bufei, enfurecido comigo mesmo. O que infernos estava errado comigo?
“Estou surpreso por você não ter pedido que eu lhe carregasse até aqui,” eu disse, soando amargo.
“Eu jurei, lembra?” Ele repetiu o gesto, desenhando um X sobre o coração.
“Você poderia ter pedido ao Jean.”
Àquilo, o citado cara-de-cavalo se inclinou entre os bancos da frente. “Ah, mas eu acho que ele gosta mais de você, Levi. Não é verdade, Eren?”
Eu esperei que Eren gaguejasse alguma desculpa idiota, ou negasse isso completamente, mas ao invés disso ele enrubesceu e começou a brincar com a alça de sua câmera fotográfica, que estava em volta de seu pescoço. Depois de um tempo com Jean encarando-o com expectativa, ele balbuciou, “Um”— ele me deu um olhar de esguelha, os olhos perfurando os meus —“Eu gosto mais do Levi, é.”
Bem, eu estava oficialmente fodido.

Notas da Autora:
Como vocês provavelmente notaram, Jean fala bastante “bebê”. Mas eu vou lhes dizer um segredinho: Ele apenas chama de bebê pessoas de quem ele é muito próximo. Até agora, ele só chama o Levi e a Petra desse jeito. Então, veremos se ele vai chamar mais alguém de bebê. :)
E mais, Levi é tão teimoso, omg. Mas ele está caindo, e rápido. Como todos já sabíamos que ele iria. 

Notas de Tradução:
§  “Juro por Deus” – Aqui, Levi usa a expressão “Cross your heart and hope to die”, que significa “cruzo (ou “faço um X”) meu coração e espero morrer”. Essa expressão é usada por crianças, que fazem um x sobre o coração ao dizerem isso. É uma forma de promessa equivalente ao nosso “Juro por Deus e que um raio caia na minha cabeça se estiver mentindo”. Por esse motivo, o fato de Eren ter levado a sério e até mesmo ter feito o gesto, é algo extremamente adorável.


4 Comentários

  1. Woooooooooooont to ficando apaixonado por essa fic...
    gente ele tem que parar de ser tão fofo..
    eu tenho ataques (fico insanamente feliz e besta) com pessoas focas assim...
    bjs bjs bjs
    P'Phil

    ResponderExcluir
  2. Ta cada vez me deixando mais encantada 😉

    ResponderExcluir
  3. Sério morri de amores... Apaixonadissima por esses dois...
    Muitoooooo fofooooossssss....
    Obrigada por essa fic deliciosa....

    ResponderExcluir