Oi gente!!! 
Aproveitem mais esse capítulo. ^^/ 

Capítulo 6: Você pode ser minha escolha não intencional


Resumo:
Tudo sobre você ressoa felicidade
Agora eu não vou me satisfazer com menos
Notas da autora:
São 5:56 da manhã e eu não dormi. Eu nem estou cansada. Eu culpo as duas xícaras de café que virei. xD
De qualquer forma, eu estou tão pronta para o próximo capítulo. Esse capítulo é meio que sem acontecimentos, mas cheio de acontecimentos ao mesmo tempo. Eu sei que não faz sentido, mas assim que vocês lerem vão entender.
Também, permitam-me um momento para agradecer a todos aqueles que tiram um tempo para me deixar um comentário. Eu amo ler eles e eu sei que nem sempre respondo para todo mundo, então apenas saibam que vocês são apreciados. Eu vejo seus comentários, eles significam muito, então obrigada. :)
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Eu estava acordado bem antes do horário que o despertador estava estabelecido para disparar as cinco da manhã. Nesse tempo, eu já tinha bebido duas xícaras fumegantes de café, tomado banho e me vestido em jeans, minha camisa branca Mate Sua Televisão e calçado botas de combate. Pra quem havia dormido apenas três horas, eu estava me sentindo muito bem e empolgado. Eu sabia que esse sentimento não tinha nada a ver com a quantidade de cafeína que eu tinha consumido, mas tinha tudo a ver com o fato de que eu veria Eren em breve. Só de pensar no sorriso dele fazia que eu sorrisse e isso era uma raridade por si só. Isso deveria ser considerado um feriado nacional, porque só acontecia uma vez a cada ano (se acontecesse). No entanto, nesses dias, isso parecia estar acontecendo o tempo todo.
            Veja isso: Levi está sorrindo!
            Sim, eu estava sorrindo, porque eu estava feliz de um jeito que se tornava difícil não sorrir. Era assim que se sentia estar gostando de alguém: como se tudo fosse bonito e certo no mundo, então por que não sorrir para isso? Por que não compartilhar sua felicidade não diluída com todos com quem você tiver contato? E eu aqui pensando que não era tolo para ninguém, mas aparentemente eu era bem tolo para Eren. Mesmo com esse conhecimento em mãos, a sensação ainda era boa, talvez um pouco assustadora também.
            Quando o alarme disparou às cinco, eu me sentei ao pé da cama de Jean, esperando ele acordar com o som desagradável. Ele demorou um tempo para despertar de seu sono profundo, o toque do alarme soando cada vez mais alto e mais irritante com o passar do tempo. Brevemente, no entanto, Jean gemeu como se fosse Frankenstein ganhando vida. Então a mão dele disparou de debaixo do grosso cobertor bege para balançar da esquerda para a direita até aterrissar no objeto ofensivo que o tinha acordado.
            Enquanto o silêncio preenchia o quarto mais uma vez, a cabeça dele deslizou de debaixo do cobertor como a cabeça de tartaruga deslizaria para fora de seu casco. Ele piscou várias vezes, me viu sentado ali e resmungou em um tom sério, “Satã despertou”. Eu bati na panturrilha dele. “E ele é pequeno e malvado”.
            “Acorda logo”, eu disse dando outro tapa na panturrilha dele, dessa vez um pouco forte demais. Ele enfiou a perna embaixo do seu corpo depois disso, protegendo-a de meus ataques repentinos. “Nós temos que estar na casa de Petra em uma hora”. Não podemos nos atrasar, porque depois temos que pegar o Eren e então ir pra escola”.
            “O treinador Smith não vai sair sem você, então mais uns doze anos e eu estarei bom pra ir”.
            “Eu fiz panquecas”. Eu o provoquei com a única coisa que ele não podia resistir, mesmo nessa hora terrível: comida. Jean era uma prostituta de comida.
            Ele sentou de um pulo como se eu tivesse administrado um choque elétrico. “Eu disse doze anos? Eu quis dizer doze segundos, bebê. Estou aqui. Estou pronto.”
            “Só cala a boca e vai comer. Depois vai pro chuveiro. Você fede como bunda.”
            Ele levantou a camiseta cinza desbotada até seu nariz e inspirou. “Eu cheiro como o paraíso!”
            “Se o paraíso cheirasse a bunda.”
            Depois que ele saiu pesadamente da cama, o que tomou mais tempo do que deveria, eu fui até a sala de estar para checar novamente se eu tinha empacotado tudo que precisaria para um fim de semana em Trost. Quando eu vi que não faltava nada essencial, passei a alça da mochila por sobre meu ombro e saí para jogá-la na caminhonete de Petra.
No segundo que saí fora da casa, o vento frio me pressionou, me fazendo desejar que tivesse uma jaqueta com um aquecedor dentro. Olhando para cima, eu vi que o sol estava escondido atrás de uma grossa camada de nuvens que pareciam engolir o céu, mas, pela primeira vez, isso não me incomodou. Nem a escuridão que me rodeava, ou o vendo seco e gélido que feria minhas bochechas.
A caminhonete de Petra estava estacionada na rua, uma massa laranja no escuro. Era uma caminhonete pick-up Chevrolet 1964. O tio dela, que era praticamente o único parente que ela tinha que dava a mínima para ela, a tinha restaurado. Ele a tinha dado de presente para ela em seu décimo quinto aniversário e o pai dela tinha ficado regiamente puto com isso, porque ele vinha querendo aquela caminhonete há anos. O babaca não merecia e eu nunca esqueceria a cara que ele fez quando seu irmão entregou as chaves para a única filha dele.
Puxando a porta do lado do passageiro, eu joguei a mochila lá dentro, vendo-a pular no banco cor de creme. Eu ainda não queria voltar para dentro da casa, então eu me recostei contra a caminhonete, enfiando minhas mãos nos bolsos da minha jaqueta preta de couro. Eu tinha um moletom por baixo dela, porque estava frio demais do lado de fora para não ter. as vezes eu me perguntava se Shiganshina alguma vez teria um clima quente.
Só precisou de alguns minutos ficando fora no frio para me convencer que ficar do lado de dentro com o Jean era uma opção melhor do que congelar meu traseiro. Apesar de que, quando eu voltei para dentro e ouvi sua mastigação monstruosa do quarto da frente, eu considerei arriscar a hipotermia.
“Você está quase pronto já?” Eu perguntei enquanto andava pelo corredor que levava à área da cozinha.
“Faz cinco segundos, Levi”, Jean respondeu em um tom sarcástico. “Se acalma. Você poderá ver seu namorado logo, então para logo de me apressar”.
Eu entrei na cozinha com um olhar de não-começa-essa-porcaria-comigo. Ele nem viu, ocupado demais enfiando um pedaço enorme de panqueca na boca. Eu juro que ele mastigava como se quisesse que aliens no espaço escutassem ele. Ele sabia que isso me irritava pra caralho, mas eu sabia que ele não se importava.
Pegando um assento oposto a ele na mesa de jantar, eu o vi empurrar o cabelo para traz com o tenar de sua palma. Tinha crescido um bom bocado nos últimos meses e o idiota se recusava a cortar. O pai dele odiava ele comprido, sempre lhe jogaria merda por isso, então era exatamente por isso que Jean estava deixando crescer. Ele gostava de desafiar um pai que nem estava por perto para ver seu desafio.
“Você mastiga como um cachorro”, eu informei.
Os olhos dele se levantaram para o meu rosto. “Eu deveria ficar ofendido com isso?”
Eu me inclinei por sobre a mesa para pegar a caneca de café do lado do prato dele. Eu bebi vários goles antes de colocar de volta. “Só cala a boca e se apressa.”
“Impaciente para ver o Eren?”
“Possivelmente”, eu disse, meus olhos desviando para a direita, porque eu não pude olhar para ele quando disse isso.
“’Possivelmente’, minha bunda. Você está. Só olhe sua cara.” Eu pude ouvir o riso em sua voz. Aquele desgraçado. “Então, você vai pedir ele em namoro logo ou o quê?”
Eu me encolhi, me recostando de volta em meu assento. “Não tenho certeza. Nós não nos conhecemos realmente ainda. Eu imaginei que deveria esperar um pouco”.
“Não, você não deveria ‘esperar um pouco’”, Jean disse lentamente, como se estivesse falando com uma criança que não pudesse entender uma palavra que ele dizia. “Eu acho que você deveria pedi-lo em namoro em breve”. Ele apontou o garfo que estava segurando para mim como se o simples gesto pudesse me fazer ver as coisas do jeito dele. “Você gosta dele. Ele gosta de você. Qual é, Levi, é simples”.
Eu pensei nisso, deixando escapar um terrível, longo suspiro. “Eu não saberia como mencionar isso em uma conversa. Como você pede alguém em namoro afinal? Parece tudo muito complexo”. Estava mais para impossível.
“Ah meu Deus. Se as pessoas realmente soubessem que o Levi Ackerman ‘legal, sempre-tão-confiante’ fosse, na verdade, horrível no básico de romance eles iriam rir. Eu sei e eu estou rindo”.
“Cala a porra da boca, imbecil”. Eu peguei um guardanapo que ele tinha embolado e joguei na cara dele com força suficiente para matar alguém, mas ela apenas ricocheteou no nariz dele e caiu nas panquecas dele cobertas de calda.
“Agora olha o que você fez”, ele disse, dando um peteleco no guardanapo para longe de sua comida.
“Eu vou lhe dar cinco minutos para comer essas ou eu vou jogá-las fora”.
Ele riu. “Alguém está ofendido. Eu feri seus sentimentos porque eu apontei que você é desajeitado romantizando um garoto com belos olhos grandes?” Ele bateu os cílios, segurando as mãos de encontro ao peito.
É isso.
Eu peguei o prato dele em um movimento rápido. “Eu vou cuspir nelas”.
“Você não se atreveria”.
“Me desafie”.
Ele levantou as mãos como se sob a mira de uma arma. “Certo! Eu me rendo. Agora devolva minhas panquecas ou eu vou atacar”.
Eu deslizei o prato de volta para ele e então apontei para ele com meu dedo indicador. “Essa é a última vez que faço qualquer coisa legal pra você”.
Não era. Nós dois sabíamos. 
(x)

Meia hora depois, depois de apanharmos Petra, nós estacionamos em frente a casa do Eren. Meu coração imediatamente bateu mais rápido em meu peito, como se soubesse onde estávamos e quem estávamos prestes a ver. Eu não nem conseguia negar esses sentimentos mais. Eu estava além disso. Agora, nesse mesmo instante, eu estava no ponto de partida de algo novo. Eu não sabia como as coisas iriam acontecer, ninguém sabia, e eu certamente não sabia se Eren e eu iríamos durar. Tudo o que eu sabia é que eu gostava muito dele e que ele fazia eu me sentir outra pessoa, alguém que não odiava essa cidade. Eu sabia que, daqui em diante, eu passaria cada momento livre que eu tivesse tentando conhece-lo, porque eu queria saber tudo sobre Eren Jaeger.
Com um grunido, o sempre tão impaciente Jean saiu da caminhonete. Ele estava na metade do caminho no tempo que Petra e eu pisamos na calçada. Então, enquanto eu estava de pé ali tentando juntar alguma coragem, Eren já tinha aberto a porta da frente. Ele deu um passo (um passo?!) para a varanda, cânula no lugar. Então ele lançou uma bolsa no Jean sem aviso prévio.
“Uf”, Jean expirou, a bolsa batendo no peito dele. “Que droga, Eren”.
“Desculpa”, Eren disse. “Só estou empolgado! Vamos! Não posso esperar mais!”
“E a sua cadeira de rodas? E por que você está gritando?”
“Cadeira de rodas?” Eren sorriu, dando um puxãozinho em sua cânula. “Sem necessidade disso. Meu pai me deixou levar isso. Eu posso andar com isso, e eu estou gritando porque estou empolgado. Pensei que já tivesse lhe dito isso?” Ele soava feliz, parecia feliz, e eu fiquei com esse desejo ardente de beijá-lo, de provar a felicidade dele nos meus lábios.
“Por que você não faz isso o tempo todo?” Jean perguntou, fechando a porta da frente para ele, porque ele a tinha deixado escancarada.
“Porque cilindros de oxigênio são caros, bobinho. Por que ainda estamos falando disso? Vamos!” Eren desceu a entrada da garagem, puxando seu cilindro de oxigênio atrás dele em um carrinho de aço que eu tinha pegado na casa dele no dia que fomos na praia para a estúpida festa na praia do treinador Smith.
Aquilo parecia ter sido meses atrás. Fazia mesmo só uma semana desde então?
Meus pensamentos foram interrompidos quando Eren parou bem na minha frente. Eu fixei meus olhos nele, abri minha boca para dizer alguma coisa, engoli para descobrir que minha garganta estava completamente seca, e cheguei à conclusão de que eu não podia dizer qualquer coisa. Eu tentei de novo (qual é), mas tive toda e qualquer palavra arrancada de minha mente, porque ele se inclinou para frente e pressionou seus lábios na minha bochecha – muito, muito perto da minha boca.
Lá se foi minha alma.
“Eu–você... Merda”, eu me atrapalhei, porque eu não podia falar nem pra salvar minha vida.
Eren mordeu o lábio e deu uma risadinha, me matando lentamente. “Vamos”. Ele pegou minha mão, me conduzindo de volta para a caminhonete. Ele abriu a porta do passageiro e esperou que eu entrasse antes de subir para o meu colo. Ele não perdeu tempo algum em se recostar, então eu não perdi tempo algum em colocar meus braços em volta da cintura dele. O calor do corpo dele se infiltrou para o meu, afogando qualquer sentimento lógico restante no meu cérebro.
Retirando a cânula de seu nariz, ele fechou seu tanque de oxigênio e soltou um pequeno suspiro de alívio. Apesar de poder andar com a ajuda disso, eu sabia que ele não gostava de rebocar isso por aí. Quem gostaria?
Depois que Jean fez um show ao jogar a bolsa de Eren na traseira, completo com encarada intensa que não afetou ninguém, ele deslizou para o assento perto de mim e Petra seguiu. Ninguém disse nada enquanto começamos o percurso para a Escola Shiganshina. Era como se nenhum de nós acreditássemos que estávamos indo para Trost sem nossos pais a tiracolo. Então de novo, os pais de Petra e Jean já estavam em Trost, mas aquilo não contava realmente, porque eles não sabiam que estaríamos lá também.
“Vamos fazer alguma coisa ilegal enquanto estivermos lá”, Jean sugeriu.
“Não”, eu disse, porque parecia uma ideia idiota. “Lhe conhecendo, você nos faria ser pegos”.
Ele zombou. “Eu não faria. Eu sou furtivo como diabos”.
“Você é furtivo como um cavalo drogado”, Petra disse.
Nós todos olhamos para ela, porque Petra nunca falou daquele jeito, e então Eren abriu as comportas e começou a gargalhar. Eu tentei impedir minha própria risada de começar, mas então Jean se virou para mim – ele parecia desconcertado, uma reação que só Petra conseguia arrancar dele – e eu não pude mais segurar.
Eu enterrei meu rosto entre as omoplatas de Eren e gargalhei até não poder gargalhar mais. Por que isso era tão engraçado? Tinham até lágrimas nos meus olhos. Merda.
“Não fique assim”, Petra disse depois de um tempo, dando tapinhas na bochecha de Jean. “Eu disse isso com amor”.
“Claro”, ele resmungou, cruzando os braços sob o peito.
“Não fique amoado. Você pode fazer o que quiser em Trost, apenas nada ilegal. Eu não quero você se metendo em problemas enquanto estivermos lá”.
Petra era sempre, e sempre seria, a responsável no nosso grupo. Ela assumiu o papel de nos manter na linha, o que eu seria o primeiro a admitir que não era algo fácil de se fazer por um bom tempo. Quando o pai de Jean deixou a cidade, ele estava determinado a arruinar tudo e qualquer coisa no caminho dele. Petra o manteve fora da detenção juvenil vezes demais para se contar. E tinha eu: eu era um desastre ambulante apenas com o objetivo de criar confusão nessa cidade, porque eu queria que todo mundo se sentisse como me sentia. E demorou um tempo para que eu me superasse aquilo também.
Era por isso que Jean e eu a tratávamos com grande respeito, porque ela não merecia nada menos vindo de nós. Ela tinha suportado muitas das nossas merdas através dos anos e depois ainda ficou por perto para nos ajudar a juntar os pedaços de nossas vidas despedaçadas. Sem ela nós teríamos saído de Shiganshina tempos atrás. Nós devemos a ela por nos ter impedido de arruinar a nós mesmo. Todos os outros tinham desistido de nós no primeiro sinal de problemas.
“Nós chegamos”, Petra anunciou em uma voz alegre, me trazendo de volta ao presente e para fora do passado.
Eren sentou-se ereto e então girou para me olhar nos olhos. “Me dá uma carona nas costas”. Ele soou tão sério, como se estivesse falando de algo extremamente importante e não sobre eu carregá-lo nas costas.
“Qual o motivo de trazer o cilindro de oxigênio, então?” Jean perguntou, gesticulando para o cilindro de oxigênio que estava descansado aos nossos pés.
“Eu não quero gastar oxigênio valioso só para andar até o ônibus”, Eren esclareceu como se essa fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Então, carona”.
“Okay”, eu disse, captando a dica do que isso era.
Abrindo a porta do passageiro, eu pisei no asfalto e fui imediatamente atacado. Eren me agarrou com seus longos membros como se eu fosse um poste. Eu precisei de um minuto para me estabilizar, porque ele era mais alto que eu: todo longas pernas (que eram sexy pra caralho, devo acrescentar).
A uma certa distância de nós estava o único ônibus que a Escola Shiganshina já teve. Era um cinza horrendo. Um ano, o treinador Smith pensou que seria uma ideia fantástica repintá-lo, mas, depois que ele o tinha lixado e passado primer, a esposa dele morreu, assim como seu entusiasmo para finalizar o trabalho que começara. Então, lá estava ele, feio e cinza – para nunca ser amarelo de novo.
Enquanto eu segurava Eren, que era uma bola de empolgação e calor nas minhas costas, eu o instruí a pegar sua bolsa de mão da carroceria da caminhonete. Eu tive que me inclinar para o lado para lhe dar apoio para puchá-la para fora, mas, uma vez que ele a tinha em mãos, ele se endireitou e deu uma pancadinha com o pé no lado da minha perna como se eu fosse nada mais que um cavalo. Esse era o jeito dele de me apressar para prosseguir.
“Isso vai ser divertido”, ele exclamou quando comecei a andar. Ele abaixou sua cabeça, e eu não podia saber o que ele estava fazendo até que senti os lábios dele roçarem minha orelha.
Eu estremeci.
“Não faz isso. Eu vou derrubar você”. Eu realmente ia. Quando ele fez aquilo, meus braços e pernas (basicamente todas as partes do meu corpo) enfraqueceram.
“Eu deixo você nervoso?” ele perguntou, a voz dele baixando para um tom quase sedutor que fez eu esquecer meu nome.
“Você me faz esquecer como falar”. Ele me fez esquecer tudo.
Ele apertou seu abraço em meu pescoço, mas isso não era desconfortável. “Então, eu realmente deixo você nervoso. Eu nunca deixei ninguém nervoso antes. Você sabe, uma criança numa cadeira de rodas não é muito intimidante para a maioria. Principalmente quando a criança tem pulmões ruins.”
“Você é bem intimidador pra mim”, eu disse a ele, e eu estava feliz por ele não conseguir ver meu rosto quando disse isso. “Dói olhar pra você a maioria das vezes, porque você é tão...” Como eu poderia colocar em palavras? Ele era... mais. Ele era extraordinariamente atraente de um jeito que fazia eu querer perder o controle, porque, apesar do que eu vinha dizendo continuamente para mim mesmo há dias, ele não era apenas um rosto bonito. Tinha alguma coisa nele que eu ainda não havia encontrado em mais ninguém. “Você é diferente”.
Eu fiquei quieto por um bom tempo e então ele sussurrou no meu ouvido, “Você me deixa nervoso também”.
No tempo que eu entrei no ônibus, eu estava convencido de que estava tendo um ataque. Toda vez que Eren se quer se inclinava sobre mim, o que ele fazia mais frequentemente do que não fazia, meu estômago se contorcia com um desejo repentino, furioso que exigia que eu notasse o jeito que ele fazia eu me sentir.
Eu deixava ele nervoso. Isso era muito bom, certo?
Nós estávamos no ponto de partida.
Por que isso tudo era tão empolgante e aterrorizante ao mesmo tempo?
Todos olharam para nós enquanto eu andava em direção a traseira do ônibus, mas ninguém disse coisa alguma, nem mesmo o treinador Smith, que estava vestindo suas roupas de costume: uma camisa cinza escura que tinha TREINADOR impresso em letras maiúsculas vermelhas sobre o peito e calça de trilha preta com uma linha branca que descia nas laterais.
Nós estávamos indo para Trost e ele ainda estava vestido como se estivéssemos prestes a correr um quilômetro.
Eu baixei Eren de pé e ele escorregou no assento até que suas costas estivessem pressionadas contra a parte interna do ônibus. A janela ao lado dele estava um pouco abaixada e eu sabia que ela não levantava. Aquela coisa estava quebrada há anos. Se chovesse, nós dois ficaríamos molhados. Ainda assim, eu resolvi arriscar, porque, aqui atrás, ninguém podia nos ver muito bem.
“Todo mundo sempre encara?” ele perguntou em um sussurro.
“Eles vão superar isso”. Foi então que eu reparei que ele estava, mais uma vez, usando minha jaqueta azul-marinho. O pensamento de ele querer usá-la porque era minha fazia coisas engraçadas com a minha frequência cardíaca. “Essa é uma jaqueta legal que você está usando”.
“Você acha?”, ele disse, sem perder uma batida. “Esse cara realmente atraente me emprestou. Ela tinha o cheiro dele quando eu a peguei, mas eu tive que lavá-la, então agora ela só cheira como eu”.
Deus, o que ele estava fazendo comigo? Eu mal podia respirar, imagina recuperar o fôlego.
Eu queria fazer tantas coisas a ele, coisas que eu não deveria estar pensando em um ônibus lotado com meus colegas estudantes, mas uma parte de mim não se importava que eles estivessem ali. Uma parte perversa de mim, que eu estava percebendo ser difícil de controlar, queria empurrá-lo contra o lado do ônibus e apagar qualquer traço de qualquer pessoa com quem ele tivesse se imaginado junto.
“Então é por isso que você a está vestindo?” eu perguntei, minha voz rouca. “Por que algum ‘cara atraente’ lhe emprestou?”
Ele deu um sorrisinho malicioso. “Ah, não. Eu visto porque acontece que eu gosto desse cara atraente”.
Sim, eu estava acabado. Não tinha mais volta. Eu tinha mergulhado muito fundo e não ficaria satisfeito até que ele fosse meu e eu fosse dele.
Me sentindo corajoso, eu agarrei a frente da jaqueta que ele tinha reivindicado e o puxei na minha direção. A máscara relaxada escorregou, um enrubescimento coloriu as bochechas dele e um suspiro forte partiu os lábios dele. “Você me deixa doido”, eu disse, porque era a única coisa que eu conseguia pensar em dizer, e também porque era a verdade.
Ele engoliu, seu pomo de adão mexendo em sua garganta. “D-de um jeito bom?”
“De um jeito que fica impossível parar de pensar em você”.
“Levi”. Ele disse meu nome como se fosse algo divino e requintado, como se fosse alguma coisa que você dissesse no escuro: um prazer culpado. Eu queria ouvir ele dizê-lo repetidas vezes...
“Antes de vocês começarem a transar”, Jean disse, pegando o assento a nossa frente, “devo informa-los que nós estamos em um ônibus maltrapilho?”
“Não é maltrapilho”, treinador Smith rugiu naquela voz calma, mas ressoante dele.
Se ele tinha ouvido de onde estava sentado, então ele, indubitavelmente, ouviu o que Eren e eu estávamos dizendo apenas alguns segundos atrás.
Provavelmente o ônibus inteiro ouviu o que estávamos dizendo.
Bem... merda.
Antes que eu pudesse medir a reação de todo mundo, Petra veio marchando pelo corredor com o cilindro de oxigênio do Eren logo atrás dela. Na nossa pressa tínhamos deixado tudo para trás com exceção de uma bolsa de mão. Eu estava prestes a me desculpar, mas ela me silenciou com seu sorriso de está-tudo-bem.
“Aqui está, Eren”, ela disse, entregando a alça para ele. “Você está se sentindo bem? Você parece corado”.
“Petra, por favor!” Jean berrou de um jeito exagerado. “Deixe as crianças em paz”.
Ela pareceu confusa, mas deixou pra lá. Os dois se viraram em seus lugares para frente. Então o treinador Smith se levantou, descansando seus antebraços nos topos dos bancos dos dois lados dele. Ele olhou todos nós, olhos azuis nos escaneando até que soubesse que ninguém o interromperia.
“Então”, ele começou, “como todos sabem, Levi estará nos deixando, pessoal de Shiganshina, para trás em uma semana. Eu pensei em irmos para Trost para um último viva antes de ele partir, mas, e eu falo sério, se algum de vocês começar qualquer problema por lá, eu vou fazer Xerife Flagon jogá-los na cadeia pra passar a noite. Estamos entendidos?”
Um coro de “Sim, treinador!” se seguiu.
“Bom. Com todas as coisas chatas ditas, quem está pronto pra cair na estrada?”
Todo mundo gritou e ovacionou menos eu, porque eu teria que dizer ao treinador em breve que eu não sairia da cidade ainda. Ele ficaria decepcionado? Ele tinha aberto uma conta de banco pra mim, afinal. Mas, mesmo que ele ficasse decepcionado, eu ainda tinha que dizer a ele, porque eu teria que manter meu trabalho na oficina de reparos dele.
“Então vamos sair”, ele terminou, e o motorista do ônibus, Nile Dok, deu partida no motor.
Todos no ônibus começaram a falar ao mesmo tempo. Eles estavam falando constantemente sobre a formatura, mesmo que só tivessem cinco veteranos aqui. Todo o resto era de primeiro e segundo ano, mas isso não os impedia de ficarem empolgados. Eles estavam felizes pela turma de graduação desse ano. Krista sorriu para a namorada dela, Ymir, que era uma veterana, e Connie parabenizou Annie, Reiner e Bertold – os outros do terceiro ano.
Quanto a mim, eu não me importava muito com a formatura. Era um grande evento por sentar seu traseiro na escola por oito horas por dia, por doze anos seguidos. Supostamente era para ser uma celebração – Ê, você conseguiu! – quando realmente esses anos passados ganhando esse diploma foram o inferno para mim. A maior parte do tempo eu não pude estudar para os exames, porque eu estava ocupado demais com o trabalho. Apesar do Kenny ter pagado a casa, ele não pagava pelas contas de eletricidade, esgoto ou água. Isso tinha sido deixado por minha conta.
“Me dê sua mão direita”, Eren pediu de repente, me acordando de meus pensamentos.
Eu o fiz sem fazer pergunta alguma.
Ele virou minha mão de modo que minha palma ficasse para cima. Então ele empurrou a manga da minha jaqueta para cima para olhar minha pele como se ele pudesse ver alguma coisa ali que eu não podia. Depois de um longo tempo olhando para o meu braço, ele puxou uma caneta esferográfica preta de seu bolso traseiro e, bem cuidadosamente, começou a desenhar.
Eu não olhei o que ele estava desenhando. Eu queria observar o rosto dele.
Sempre que Eren desenhava, ele focava toda sua atenção nisso. Só tinha meu braço (sua tela escolhida) e os traços precisos da caneta dele. Ele era bonito. O mundo caiu naquele momento, deixando para trás apenas eu e ele. Todo o barulho ao nosso redor morreu no nada, porque o único som que eu podia ouvir era sua respiração irregular.
Eu queria muito ele. Eu queria nos misturar até que ninguém pudesse nos diferenciar. Eu queria tudo dele, cada parte.
“Pronto”, ele anunciou.
Pela primeira vez desde que ele começara, eu olhei para o meu braço. Ele tinha desenhado uma asa, preta e precisa. A tinta preta se destacava na minha pele pálida tornando a asa muito mais vívida, como se, se ela quisesse, ela pudesse saltar do meu braço.
Sem dizer nada, ele puxou a manga da jaqueta de seu braço direito e desenhou outra asa, a companheira da minha. Ele não preencheu essa. Foi deixada a cor da pele dele, mas, se eu pudesse colori-la, eu a faria branca – pura e sólida como ele.
“Você queria se libertar dessa cidade”, ele disse em uma voz baixa. “Asas poderiam lhe dar essa liberdade”.
Eu olhei para ele. “Asas da Liberdade”.
Ele sorriu. “Exatamente”.
Repentinamente uma ideia me ocorreu. “Me dê minha jaqueta”.
“Ãh?” Os olhos dele dispararam para os meus.
“Minha jaqueta”, eu disse mais uma vez, sustentando minha mão.
Parecendo cabisbaixo, ele tirou minha jaqueta e me entregou sem levantar o olhar para encontrar o meu. Eu a coloquei em meu colo e então tirei a jaqueta de couro que eu estava usando, estendendo-a para ele depois. “Aqui”, eu ofereci. “Essa ainda cheira como eu”.
Ele abriu um grande sorriso (lindo) e vestiu a jaqueta como se ela estivesse prestes a desaparecer. Ele a puxou para perto do seu corpo. “Isso significa alguma coisa dessa vez?”
“O que você quer que signifique?” eu perguntei.
Ele encolheu os ombros, virando a cabeça para olhar pela janela. Tinha começado a chover. Grande surpresa. “Você gosta de mim, Levi?”
Ele realmente precisava perguntar? “Sim”.
“Então faça isso significar alguma coisa”.
“Você está insinuando que quer que eu lhe peça em namoro?”
“Só se você quiser namorar comigo”.
“Eu quero”, eu disse, porque eu queria.
“Então me peça em namoro”.
Isso estava realmente acontecendo. Não tinham se’s, e’s ou mas’s quanto a isso.
Eu senti como se estivesse esperando por ele toda a minha vida e agora ele estava aqui.
“Eren, você quer ser meu namorado?” As palavras pareceram desajeitadas saindo de minha boca, mas você nunca pensaria isso pelo jeito que ele se virou e olhou para mim, como se pudesse me ver, tudo de mim.
Então ele disse, muito sério, “Sim”.
E lá nós estávamos: dois garotos sentados em um feio ônibus cinza, estendendo os braços para segurar a mão um do outro, porque estávamos juntos, e nada parecia mais correto.

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Notas da autora:
Sério, eu sou tão cliché. Me perdoem, mas a trilha sonora dessa fic consiste da banda Muse, mais Muse, e um pouco mais de Muse. Tem outras músicas que eu escuto que não são da Muse, mas são as músicas deles que me impactam, mudam meu caminho para esses personagens. Eu amo tanto eles. Eu venho escutando as músicas deles por 12 anos e eu ainda não me cansei deles.
Nota extra: eu estou ciente que Levi canon não bebe café, e sim chá. Mas esse não é o Levi do universo canon. Esse não é o soldado mais forte da humanidade, e sim um Levi diferente que nunca lutou contra um titã ou voou por aí com um dispositivo de manobra 3D. Esse Levi gosta de café, porque eu, a criadora desse Levi em especial, é viciada em café. XD

De qualquer modo, já que eu estou me deixando levar totalmente aqui, obrigada por lerem!
Curiosidade: Caminhonete da Petra


5 Comentários

  1. Muito bom gosto Muse realmente combina, eu achei que a caminhonete dela estivesse um pouco mais acabada , mas esta muito boa, muito obrigado adorando a fic bjss.

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    1. Também imaginava ela mais acabadinha, mas o pais da Petra trabalham e bancam ela, apesar de serem ausentes, então acho que ela pode manter uma caminhonete direitinha. hehehe

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    2. Não esquecendo que a caminhonete foi reformada pelo tio de Petra como foi dito no texto.

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  2. Ssssssiiiiimmmmmmm....
    Vomitei arco-íris com esse pedido de namoro.... Wwwwoooowww lindosssssssss!!!

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