Oi minha gente! ^^/

Demorei, mas cheguei. XD Ontem a noite foi trash, então, automaticamente, o dia foi puro sono. hehehe
Sem mais demora, vamos ler CS. *u*

Beijos~         
Lena.
Não sei o nome do artista, mas achei a imagem bem legal e acho que combina com esse capítulo. ^^
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Capítulo 20: Atemporal.


Resumo:
Embora eu possa ter perdido meu caminho
Todos os caminhos levam direto a você [1]
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Notas da Autora:
Eu finalmente estou atualizando durante o dia, e não na calada da noite, o que quer dizer que eu posso realmente pensar por mais tempo do que poucos minutos. Dito isso, aqui estamos com outro capítulo. Eu estou animada hoje, e estou fazendo alarde disso porque os últimos dias foram um pouco tristes pra mim, mas eu peço desculpas por não ter respondido às pessoas que comentaram no último capítulo... de novo. *soluços não tão silenciosos*
Eu vou responder a todos os comentários desse capítulo. Prometo.
Eu também gostaria de dedicar esse capítulo a Pyxy_Styx, outro lutador do tempo.
Agora vão ler. :)
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Eu dirigi até tarde da noite, Eren um embrulho constante de calor ao meu lado no banco. Depois de lutar para ficar acordado por uma hora, a exaustão dele havia finalmente ganhado. Agora, ele estava deitado encolhido em uma bola apertada, a cabeça descansando no topo de minha coxa. A respiração dele, profunda e repetitiva, estava me confortando ao ponto de eu achar difícil manter meus olhos abertos, minha visão entrando e saindo de foco.
Alguns quilômetros atrás, eu vi a placa de uma área de descanso na próxima saída onde nós teríamos que acampar pelo resto da noite, porque eu estava mais dormindo do que acordado. As marcações de tráfego dos dois sentidos estavam se tornando nada mais que um borrão branco e indistinto na estrada a minha frente. Aquilo, bem ali, era um sinal de aviso de que eu não deveria mais estar dirigindo. Especialmente porque eu era o único acordado. Se eu apagasse, não haveria ninguém para me acordar.
Apertando o volante com as duas mãos como se isso fosse me ajudar a lutar contra o peso de minhas pálpebras, eu consegui chegar na área de descanso sem casualidades. A primeira coisa que notei foi que o estacionamento estava vazio, parecendo sinistro e escuro enquanto eu estacionava em uma vaga a frente dos banheiros. Quando eu girei a chave na ignição, o som do motor roncando dando lugar ao silêncio, eu senti a necessidade imperiosa de trancar as portas, o que era impossível com a forma que Eren estava deitado.
Eu me virei e dei uma leve empurrada no ombro dele. Ele resmungou alguma coisa incoerente em seu sono, puxando suas pernas para mais perto de seu peito, mas não acordou. Eu tive a sensação de que precisaria de muito para acordá-lo a esse ponto. Do ângulo que eu estava, seria impossível carrega-lo e movê-lo por cima de mim. Então, ou eu o importunava até ele acordar, porque minha perna estava ficando dormente, ou aguentava as dores que viriam com dormir em uma posição sentada.
“Eren,” eu disse, dando uma última chance à aproximação gentil. Dessa vez, ele se virou sobre sua barriga, esticando os braços por cima de sua cabeça e dando uma leve arranhada no meu jeans. Ele me lembrou de um gatinho. “Eren,” eu tentei de novo.
“Não,” ele resmungou.
“Você está acordado ou falando dormindo? Eu nem consigo sentir minha perna nesse momento.”
Ele mordeu minha coxa, com força suficiente para eu sentir a agudeza dos dentes dele pelo meu jeans. “Aposto que você sentiu isso. Ah, e eu estou acordado.” Ele se sentou, o cabelo tão esplêndido como sempre. Eu amava aquilo. “Que horas são? E onde diacho nós estamos?”
Eu mal pude conter o riso abafado que ameaçava fugir pelos meus lábios fechados. Por algum motivo, eu achava hilário que Eren tivesse dificuldades em falar uma maldição [N/T: Eren usou o eufemismo para “hell” – “heck”], mas podia ser absurdamente barulhento enquanto fazia sexo em um espaço bastante público. Esse era simplesmente o jeito dele.
“Nós estamos na área de descanso porque eu estou meio-morto agora,” eu disse a ele depois de me recuperar. “E tranque sua porta.”
Ele se inclinou para o lado, empurrou a tranca para baixo com o cotovelo e, então, pescou seu celular em seu bolso frontal. O celular acendeu um círculo branco no rosto dele quando ele o ligou. Enquanto ele olhava para a tela, a expressão dele foi de fofa e sonolenta para preocupada e bem acordada. Ele virou o celular para mim. Havia uma grande quantidade de chamadas perdidas do pai dele.
“Deveríamos voltar?” Eu perguntei.
“Não. Eu nunca fiz nada de mau na minha vida. Acho que tenho o direito de ser rebelde pelo menos uma vez.” Ele digitou uma mensagem, que ele não me permitiu ler, e enviou antes de desligar seu celular. Eu tinha um mau pressentimento com relação a isso, mas, ao mesmo tempo, eu queria aqueles momentos roubados com ele. Eu sabia que o pai dele me daria o inferno por isso depois, que eu teria que responder a ele assim que nós estivéssemos de volta a Shiganshina, mas eu lidaria com isso depois. Nesse momento, eu estava sonolento demais para sequer pensar direito.
“Estou muito cansado,” eu disse, porque exigia um esforço real para manter meus olhos abertos. “Vamos dormir.”
Ele se aconchegou em mim, jogando o celular dele para o lado como se planejasse nunca mais pegá-lo de novo. “Eu queria que tivéssemos um lençol. Está congelando aqui.”
“Vem cá.” Eu o peguei em meus braços, me inclinando para trás até que nós dois estávamos deitados no banco. Nós nos movimentamos um pouco, nos ajustando para caber no espaço limitado. Quando estávamos deitados peito com peito, eu deslizei meus dedos por baixo da costa da camisa dele, traçando padrões preguiçosos na pele dele. Ele começou a cantarolar um tom lento e tranquilizador, as vibrações da voz dele viajando pelas minhas costelas.
Eu adormeci com a letra da música –O Verão é quente / E eu estivesse esperando por você todo esse tempo [2] presa na minha cabeça.

(x)

O sol estava fritando meu rosto. Essa foi a primeira coisa que pensei. A segunda coisa foi que eu sentia como se alguém tivesse enfiado uma faca sega na minha lateral. Eu gemi, desorientado das horas de sono. Eu precisei de vários minutos para lembrar onde estava, meus olhos se abrindo para ver o sol flutuando pelo meio do pálido céu azul que parecia pairar a um centímetro sobre mim. Eu pisquei, mas tudo permaneceu do mesmo jeito – nosso verão eterno aceso brilhantemente por uma estrela em chamas.
Eu me sentei, a dor no meu lado ficando mais notável enquanto eu me movia. Eren já estava acordado, parecendo alegre e dolorosamente sexy. Ele havia tirado a camisa dele, o peito nu banhando na luz do sol que fazia a pele dele parecer de um bronze comestível. Eu o encarei, sentindo o forte desejo de tocá-lo, então eu me inclinei para o lado e beijei o pescoço dele. A pele dele era prazerosamente quente contra meus lábios. Foi aí que eu escutei um guincho agudo.
Eu virei minha cabeça na direção da fonte e vi duas garotas de pé em frente à caminhonete, olhando para nós pelo para-brisas dianteiro com enormes sorrisos nos rostos. “Que porra?” Eu proferi, confuso pela presença delas.
Eren deu um riso abafado. “Elas estavam olhando para nós enquanto estávamos dormindo. Eu estava deitado em cima de você e você meio que estava com a mão dentro da parte detrás da minha calça, porque, obviamente, o seu corpo gravita na direção das minhas costas enquanto você dorme, mas elas não saíram desde então.”
“Primeiro de tudo, eu não posso ser culpado pelo que minha mão faz enquanto estou dormindo porque eu, obviamente, não estou ciente do que estou fazendo.”
“Obviamente,” ele disse.
Eu o ignorei. “Segundo, por que elas estão simplesmente paradas ali olhando para nós?”
“Três palavras, bebê: sexo gay quente.”
Meus olhos dispararam para o rosto dele. Ele estava sorrindo de orelha a orelha, divertindo-se. “Okay, não,” eu disse para ele. “Provavelmente não ajuda que você esteja sentado aí sem camisa. Se elas não estivessem olhando estupidamente para nós, eu já teria a minha mão dentro de suas calças de novo.”
“Estou emocionado pelo quão cavalheiro você é. Agora vamos sair dessa caminhonete. Minhas pernas estão quase tão duras quanto seu pinto.” Ele se inclinou na minha direção, sorrindo largamente de sua própria brincadeira.
“Você realmente acabou de...?”
“Shh. Quieto. Não há tempo para se perguntar sobre essas coisas. Pernas.” Ele apontou para as pernas dele, que estavam tão longas e irresistíveis como sempre. “Rígidas.”
Eu rolei meus olhos. “Entendi.”
Com o sol quente na minha pele, era difícil lembrar da tristeza da noite passada. Sentar ali perto do Eren, que estava colocando suas mãos pelas mangas de sua camisa azul acinzentada, eu podia imaginar pegar esse momento frágil, fino como papel, e estica-lo para durar para sempre – uma gota no tempo que escorria e ondulava em um infinito; translúcido e belo.
Enquanto olhava para mim, e parecia um pouco preocupado, Eren colocou sua cânula. Eu sabia que ele estava pensando sobre ontem, sobre todas as coisas que eu dissera no calor do momento, mas, hoje, eu não deixaria nada daquilo afetar meu humor. Hoje era diferente, um nova página. Para provar pra ele, eu me inclinei para frente e peguei a chave do cilindro que ele havia deixado no painel. Eu a usei para girar a válvula do cilindro de oxigênio, que agora estava cuidadosamente presa entre as pernas dele.
“Eu pensei que você estivesse com pressa?” Eu perguntei, levantando uma sobrancelha. Ele não se movera desde que eu pegara a chave. “Porque, de acordo com você, suas pernas estão duras como meu pau. Eu nem acho que isso seja possível, a propósito.”
Ele sorriu logo antes de rir. Então ele embalou meu rosto nas palmas das mãos dele. “Éternité. Esse é o quanto vou amar você.”
“Isso é uma promessa?”
A expressão dele ficou séria. Ele tocou meu queixo com o polegar, pele com pele, alma com alma. “Sim. Agora vamos sair daqui porque nós temos uma plateia.” Encarando as garotas que não haviam se mexido nem um centímetro de suas posições na calçada, ele disse, “O tanto que era divertido antes, agora só está ficando irritante. O que elas estão esperando?”
“Serem comidas,” eu sugeri. “E olhar nos seus olhos enquanto estão sendo comidas.”
Eren franziu o nariz como se eu o presenteasse com um pedaço de comigo estragado e fedorento com o qual ele absolutamente não queria nada. “Vamos terminar com nossos negócios aqui para que possamos sair.” Ele abriu e empurrou a porta do passageiro, deixando entrar uma torrente de ar quente que acariciou cada parte do meu corpo que já não estava coberta com tecido. Eu poderia me acostumar com um clima assim.
Pisando no asfalto, eu o segui para trás da caminhonete, onde ele puxou minha bolsa de viagem por cima da lateral. Ele remexeu nela até ter o que queria: nossas escovas de dentes –embaladas em sacos plásticos ziploc—um tubo de pasta de dentes de viagem e duas garrafas de água. Ele jogou a bolsa de volta com quase nenhum cuidado e, então, e entregou minha parte das coisas que ele procurou. Eu enfiei minhas coisas no bolso por enquanto, pois eu precisava de minhas mãos livres para fazer o que eu queria fazer.
Eu baixei a porta traseira da caminhonete, colocando o cilindro de oxigênio dele sobre isso antes de seguir o exemplo. Eu ajudei Eren depois daquilo. Então nós sentamos na porta traseira enquanto escovávamos nossos dentes, olhando para o estacionamento que ainda estava, em maior parte, vazio. Havia um Honda Civic prata estacionado do nosso lado, mas eu tinha a impressão de que ele pertencia às meninas que ainda estavam fazendo morada perto dos banheiros. Eu queria que ela fossem embora logo. Eu podia ouvir elas rindo de alguma coisa.
Eren esticou os braços acima da cabeça dele, o punho da escova de dentes vermelha dele para fora de sua boca. Ele sorriu e um pouco de espuma de pasta de dente escapou nos lábios dele. “Eshtá Ensholarado!” ele gritou em triunfo, as palavras arrastadas.
Eu cutuquei o lado dele. Ele bateu minha mão para longe enquanto ria.
Eu cuspi uma boca cheia de pasta de dente bem forma bem des-cavalheiresca e disse, “Vamos pegar café da manhã.”
“Você tem pasta de dente pela boca toda,” Eren apontou.
Eu assenti. “Estou bem orgulhoso disso também.”
“Posso dizer.” Ele desenroscou a tampa de sua garrafa d’água e derramou um pouco nos dedos. Ele esfregou no meu rosto como se eu fosse uma criança e, então, se inclinou para trás para ver se ele tinha perdido algum local (não tinha). Ele disse, “Pronto. Tá limpo. Agora enxágue sua boca.”
“Sim, mãe.” Eu peguei minha própria garrafa d’água e lavei qualquer pasta de dente restante em minha boca. Depois de cuspir, eu sorri largamente para ele, mostrando a ele meus dentes agora limpos. Ele mostrou a língua para mim. “O que você quer comer? Eu poderia ir de waffles Belga. Também estou em extrema necessidade de café. É um milagre que eu possa funcionar apropriadamente no momento.”
Ele lavou a boca antes de responder com, “Você está sempre em extrema necessidade de café, mas eu posso comer waffles, se eles tiverem um monte de morangos em cima.”
“Okay.” Eu pulei da porta traseira.
Eren me passou seu cilindro de oxigênio antes de pular para baixo, os pés descalços beijando o asfalto. As garotas começaram a dar risinhos de novo, se juntando para falarem uma com a outra em sussurros apressados. Eu lancei um olhar a elas, irritado, mas aquilo só fez elas darem ainda mais risadinhas. Eu me perguntava o que elas estavam planejando fazer, já que ainda não haviam saído. Eu as encarei. Uma era alta, loira e esguia. A outra era um pouco baixa com cabelo bem vermelho.
Eu não achava elas atraentes de forma alguma.
“Graças a você,” eu disse para Eren, que estava arrastando seu cilindro de oxigênio pela cânula (ele tinha o hábito de fazer aquilo), “eu sou tão gay que não posso sequer imaginar sexo hétero.”
Ele riu bem alto daquilo. “O que fez você pensar nisso?”
“Aquelas garotas ali.”
Eren se virou para inspeciona-las, os olhos se estreitando ligeiramente. “A loira é bem bonita. Eu gosto dos olhos azuis dela.”
Eu encarei ele, digerindo a informação. Eu sentia uma pontada de alguma emoção que eu não podia dizer ao certo qual era. Eu refleti sobre isso por um número de minutos antes de finalmente cair em mim de que eu estava com ciúmes. Eu estava com ciúmes de alguma loira sem nome que estava olhando para Eren como se ele fosse um suculento pedaço de carne no qual ela adoraria mergulhar os dentes. Eu fiz um barulho no fundo da garganta. Parecia que eu estava prestes a limpar a garganta com uma escarrada.
“Os olhos dela são okay,” eu disse, minhas palavras soando secas e afiadas. Deus, eu não podia acreditar que eu realmente estava com ciúmes de uma garota qualquer na área de descanso. “Vamos sair.”
Ele examinou minuciosamente a minha expressão, vendo algo nela que estava incomodando ele. “O que foi?”
“Nada. Eu só—Eu quero café.” Eu fui tão idiota.
Por um segundo, ele pareceu alheio, perdido, mas então um sorriso surgiu no rosto dele, seus olhos disparando para a loira sem nome e de volta para mim. O sorriso cresceu, se é que aquilo era possível. “Levi Ackerman, você está com ciúmes agora?”
“Não,” eu disse rápido demais, a palavra se apressando para fora de mim. “Não estou com ciúmes, Eren Jaeger.”
“Eu acho que está.”
“Eu acho que não estou.” Eu cruzei meus braços sobre meu peito, defensivo. Eu não admitiria que estava com ciúmes. Aquilo ia me fazer parecer patético, mesmo que Eren fosse meu primeiro namorado e ciúme fosse uma emoção comum para se lidar de vez em quando. Ainda assim, isso não fazia aquilo nem um pouco menos vergonhoso. “O que eu acho é que nós deveríamos entrar na caminhonete e ir atrás de café da manhã.”
Colocando as mãos nos meus quadris, Eren pressionou minha costa contra a lateral da caminhonete. A luz do sol acendeu os fios desviados no topo da cabeça dele em finos fios de ouro. “Eu acho que isso é adorável, apesar de completamente desnecessário, que você esteja com ciúmes daquela garota ali. Ela é menos que um grão de poeira na minha vida, facilmente esquecida. Você é meu mundo inteiro, ainda mais bonito que o oceano.” Ele me beijou então, os lábios dele abrindo os meus.
Eu não conseguia fazer eu me importar com nossa plateia feita de dois, então eu joguei meus braços em volta do pescoço dele, sem me importar, nem uma vez, que eu estivesse na ponta dos pés. Nós beijamos e beijamos até que ele se afastou para recuperar o fôlego. Eu encostei minha testa na dele, olhando nos olhos dele de perto, que eram de um profundo verde floresta debaixo da sombra feita pelas nossas cabeças unidas. Eu empurrei minha mão na dele e o guiei para a porta do lado do passageiro. Eu já tinha tido o suficiente dessa área de descanso.
Quando nós subimos na caminhonete, eu notei que as garotas estavam nos engolindo com os olhos, as bochechas rosadas. Eren baixou o vidro da janela dele enquanto eu escorregava no banco do motorista e disse, “Sim, somos gays. Obrigado por encarar.”
A garota de cabelo vermelho baixou os olhos, mas a loira disse de volta, “Eu espero que vocês dois fiquem juntos para sempre.”
Ele se inclinou para fora da janela. “Para sempre não é tempo suficiente.”
As garotas guincharam em uníssono e, então, elas se foram, virando pinceladas de cores no espelho retrovisor enquanto eu saía do estacionamento. Quando eu virei na interestadual algum tempo depois, Eren liguei o rádio. Parecia que nós estávamos milhares e milhares de quilômetros longe de Shiganshina, dos nossos problemas e preocupações. Eu não tinha dúvida de que Grisha ainda estava tentando saber de nós, mas aquilo não me incomodou tanto quanto deveria. Eu queria me perder no hoje e esquecer sobre amanhã.
“Eu quero tomar banho depois que comermos,” Eren disse, “e depois encontrar uma praia.”
“Eu vou procurar um hotel perto do restaurante que nós comermos. Você pode procurar pela praia que seja mais próxima no seu telefone, não pode? Ou você está planejando mantê-lo desligado até que estejamos voltando?”
Ele deu de ombros. “Agora, meu pai vai estar me deixando mensagens de voz que variam da calma forçada à explosão de fúria. Eu não quero ouvi-las. Tudo o que ele está pensando agora na minha saúde idiota. Assim que estivermos de volta, sãs e salvos, ele entenderá porque eu fiz isso. E se ele me proibir de ver você de novo por causa dessa façanha maluca que estamos fazendo, então venha me sequestrar.”
“Ele proibiria você de me ver?” Eu de repente não tinha mais apetite.
Eren escorregou pelo assento, pressionando a perna dele na minha. “Duvido disso. Ele sabe que eu escalaria janelas com prazer e fugir na calada da noite para ir ver você. Ele também sabe que você estaria mais do que disposto a me ajudar a escalar essas janelas e fugir na calada da noite.”
Eu liguei a seta para a direita antes de mudar de faixa. Não tinha muito tráfego ali. “Eu provavelmente estaria desesperado o suficiente para pôr sua porta da frente abaixo. Talvez até ser reduzido a pedir e implorar.”
“Eu sabia,” ele disse, sem emoção. “Você está desesperadamente viciado na minha bunda.”
“Então você finalmente descobriu. Demorou um bom tempo.”
“Eu ignorei todos os sinais de aviso, e aqui estamos. Você acha que é tarde demais pra você?”
Eu tirei uma de minhas mãos do volante para dar um tapinha na coxa dele. “Temo que sim. Não há esperança pra mim. Eu preciso de uma dose diária desse traseiro pra sobreviver.”
Ele assentiu, apertando os lábios em uma tentativa de segurar o riso. Isto escapou dele em estouros rápidos de qualquer jeito. Depois que ele se acalmou, ele largou a cabeça no meu ombro. “Ei, olha.” Ele apontou para uma placa adiante. “Tem uma Waffle House [3] na próxima saída.”
“Parece que é lá que vamos comer essa manhã,” eu disse. Mesmo que nós tivéssemos um cilindro de oxigênio extra conosco, eu não achava que fosse uma boa ideia ficar fora por mais um dia. Se ficássemos, eu precisaria ligar para o pai dele. Grisha parecia pra mim como o tipo que ligaria para a polícia depois de vinte e quatro horas de desaparecimento de seu filho. “Eu sei que você não quer, mas eu acho que deveríamos ligar para o seu pai essa noite para ele saber que estamos bem.”
A mão de Eren congelou atrás do meu pescoço. Eu esperei que ele dissesse alguma coisa, mas ele permaneceu quieto. Eu continuei dirigindo, manobrando a caminhonete para fora da interestadual e por uma estrada movimentada que estava explodindo de carros. Demorou um tempo para eu encontrar a Waffle House. Ela era escondida atrás de um posto de gasolina abarrotado de cavalos mecânicos [4]. Nós estávamos em uma parte da cidade onde viajantes, como nós, eram uma ocorrência diária – sempre indo e vindo.
“Você sabe em que cidade estamos?” Eren perguntou enquanto eu estacionava perto de uma minivan branca que tinha adesivos de família de Star Wars no para-brisas traseiro.
“Cidade Quinta. É aproximadamente a cinco horas de distância de Sina.”
“Wow. Eu sabia que você tinha dirigido por um bom tempo noite passada, mas eu não pensei que tínhamos chegado tão longe.” Ele de repente se empurrou para frente, espiando alguma coisa à nossa frente. “Ah meu deus. Tem um Starbucks.”
 Eu segui o olhar dele e, certamente, tinha um café Starbucks bem do lado de um Dunkin Donuts [5]. Nós não tínhamos um em Shiganshina, então eu só estivera em um uma ou duas vezes. “Não me diga que você é um daqueles bebedores de Frappuccino [6]?”
“Hum, sim,” ele disse, me dando um olhar por cima do ombro, praticamente me desafiando a dizer algo ruim sobre bebidas exageradamente doces. “Não comece com aquele negócio de ‘eles são doces demais’ porque eles são deliciosos.”
Eu tirei a chave da ignição, colocando o chaveiro no bolso. “Por que eu diria que eles são doces demais? Quero dizer, eles são, mas...”
Ele bateu no meu ombro. “Só saia da caminhonete, seu bebedor de café preto.”
“Vai me obrigar?”
Os olhos dele se estreitaram, aceitando o desafio silenciosamente. Antes que eu soubesse o que ele estava planejando fazer, ele colocou os dois pés no meu braço e empurrou. O lado esquerdo inteiro do meu corpo bateu na porta. Ele continuou me empurrando até eu abri-la e pular para fora. “Eu acho que acabei de obrigar,” ele disse enquanto descia ao meu lado, um sorriso convencido no rosto.  Ele agarrou tanto o cilindro de oxigênio quanto o carrinho de aço no qual ele ia dentro do banco e, então, nós estávamos andando para a lanchonete de mãos dadas.
O interior da lanchonete cheirava a ovos cozidos, salsichas e café. Eu inspirei os cheiros deles misturados enquanto Eren falava com a anfitriã – uma mulher mais velha com cabelos castanhos acinzentados – que nos cumprimentou. Nós ficamos parados ali por um momento, esperando. Então uma garçonete veio e nos levou até uma cabine livre que era bem ao lado da janela lateral. Enquanto nos sentávamos de frente um para o outro, ela nos entregou o menu e saiu depois de anotar o que queríamos beber.
Eu escorreguei pelo banco verde e rachado para me aproximar da janela. “O que você vai comer?” Eu perguntei enquanto pegava o menu de onde ele estava sobre a mesa.
“Waffles,” Eren disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. “Dã.”
Eu olhei para ele por cima do topo do menu. “Eu quis dizer, além disso.”
“Hmm. Hash Browns [7] e torradas de passas [8].”
“Torrada de passas?” Eu perguntei em desgosto.
“Torrada de passas,” ele confirmou. “E você? O que você vai pedir, Sr. Eu-não-vou-comer-nada-nem-ligeiramente-doce.”
“Ovos e torrada simples.” Eu enfatizei o jeito que disse simples porque torrada de passas soava absolutamente nojento.
“Se eu não amasse você...” Ele disse isso como se eu tivesse acabado de escolher a pior comida do menu. Tirando seu celular de seu bolso traseiro, ele o colocou sobre a mesa e perguntou, “Está pronto?”
Eu fitei o telefone. “Não.”
“Nem eu, mas eu quero saber onde é a praia.” Ele ligou o telefone. Em alguns segundos, ele estava zumbindo com mensagens não respondidas, lentamente deslizando pelo topo da mesa e fazendo grãos de açúcar derramado pularem com a leves vibrações. Ele gemeu, mas não o pegou até que tivesse parado. “Então, eu tenho aproximadamente cem chamadas não atendidas. Estou bem certo de que meu pai está completamente em modo de pânico. Provavelmente imaginando o pior, como se eu, de repente, parasse de respirar e não tivesse ninguém para me ajudar.”
“Você deveria pelo menos mandar uma mensagem para ele, para que ele não pense no que você acabou de dizer.”
Eren bufou. “Eu não sou completamente inútil. Eu posso me virar muito bem sozinho. Eu não sei porque tantas pessoas pensam que, só porque estou doente, que eu sou, de repente, frágil e incapaz de nada.”
“Eu não acho isso,” eu disse a ele.
“Ele suspirou, seus dedos, toc, toc, tocando na tela do celular. “Eu sei.”
Depois que a garçonete trouxe nossas bebidas e anotou nossos pedidos, eu fui me sentar ao lado dele. Eu deslizei meus dedos pelos dele, trazendo nossas mãos para o meu colo. "Você é a pessoa mais forte que já conheci, Eren. Um monte de pessoas teria deixado essa doença que você tem controla-las a esse tempo, mas você não. Você luta contra ela todos os dias.”
Minutos passaram em silêncio, com ele olhando para nossas mãos. Eu coloquei minha mão livre no meu bolso e tirei uma caneta que eu tinha embolsado acidentalmente no hotel em Sina. Eu escrevi forte em cima da mão dele. Então eu a virei, para que a palma dele estivesse para cima, e escrevi lindo.
Ele cerrou a mão em um punho, parecendo irritado. Eu sabia que ele não estava com raiva de mim. “Eu só—” Ele parou no meio da frase e olhou para fora da janela. Tudo o que eu podia ver era o perfil do rosto dele. “Eu quero ser normal.”
“Você é normal e, se você quiser ficar fora por semanas, eu farei isso por você.”
Ele deu um pequeno sorriso. “Você se arriscaria a ir pra cadeia por mim?”
“Eu acho que arriscaria qualquer coisa por você.”
Sempre tão cuidadosamente, como se ele estivesse tentando não perturbar aquele momento, ele se virou para mim e perguntou, “Você acha que estaria tudo bem eu beijar você em uma lanchonete caipira que grita homofobia?”
Eu deslizei para mais perto dele. “Eu acho que não dou a mínima para o que qualquer pessoa aqui pense.”
Ele me beijou, suave como um sussurro. “Eu viverei através de você. Eu existo na batida de seu coração.”

(x)

A praia que encontramos estava coberta de pessoas, mas, surpreendentemente, o píer estava vazio, então foi ali que ficamos, olhando para o oceano.
“Então eu sou mais bonito que isso?” eu perguntei. As ondas lambiam os pilares abaixo de nós, o som delas preenchendo meus ouvidos. O céu acima de nós estava pintado de um tom profundo de laranja com o sol se pondo, que estava morno na minha pele. Eu joguei minha cabeça para trás, sentindo o cheiro fresco da brisa do oceano.
Perfeito.
Eren virou a cabeça para olhar para mim, o vento soprando o cabelo dele de lado. “Para mim, você é a coisa mais bonita do mundo, Levi.”
Eu corei, mas rapidamente tentei disfarçar isso com um apressado, “Você é cego,” tropeçando da minha boca.
Ele fechou a distância entre nós e segurou meu rosto com as duas mãos, olhando diretamente nos meus olhos quando disse, “Eu não acho que eu seja.”
Eu coloquei minhas mãos sobre as dele, a brisa beijando nossos rostos. Parado aqui com ele, eu me sentia atemporal, intocável, como se nada jamais pudesse ser triste de novo, como se ninguém jamais pudesse ser perdido: nesse momento, nós estávamos aqui, nada podia arruinar ou roubar a perfeição ou a alegria desse momento – nem mesmo o próprio tempo.
Eu me sentia como, se alguém pudesse derrotar as regras do tempo, seria nós.

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Notas da Autora:
Esses dois me fazem tão incrivelmente feliz, mas também incrivelmente triste, que é o motivo de eu amar tanto escrever sobre eles. Eu só quero que eles sejam felizes para sempre. Eu quero escrever centenas de histórias para eles. Eu também estou tagarelando, como costumo fazer quando estou energética.
Então me permitam dizer obrigada, mais uma vez, por lerem, por comentarem, por apertarem aquele botão de kudos e por permanecerem comigo por essa jornada. <3
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Notas de Tradução:

[1] O Resumo deste capítulo é uma citação da música Like You da banda Evanescence. Veja abaixo o vídeo com a tradução da música:

Mas eu sinceramente acho que a versão mais leve desse cover combina mais com CS, o que vocês acham? =)


[2] Trecho da música Salvatore de Lana Del Rey. Acho a voz dessa cantora bem impressionante; é um voz que toca bem fundo e tem um tom bem... dramático. hehe Combina bastante com o Eren de alguma forma. XD Mas eu adoro esse cover também. ^^



[3] Waffle House: uma rede de restaurantes com mais de 2.100 locais em 25 estados dos EUA.
Quero waffles. *u*
[4] Cavalo mecânico: caminhão sem o semirreboque acoplado.
[5] Dunkin Donuts: Empresa global norte-americana especializada na venda de rosquinhas e café com sede em Massachusetts.
*___* Quero donuts também. hehe
[6] Frappuccino: bebida exclusiva do Starbucks (tem a marca registrada). O nome Frappuccino (o original) é uma mistura da palavra frappé (do francês: bater, ex.: frapper à la porte = bater na porta) com o cappuccino, que é o espresso com leite vaporizado.  A bebida é preparada com café, gelo, leite, chantilly e outros complementos conforme a variação: chocolate, caramelo, etc… (fonte: http://decafeeuentendo.laklobato.com/2011/10/03/o-frappuccino/).
PQP! Parece muito bom! Eu quero! *O*
[7] Hash Browns: prato típico de café da manhã americano feito de batata (comum ou doce) ralada frita com o mínimo de gordura. A batata é ralada, picada ou cortada em tiras, cubos ou fatias finas, e frita na frigideira ou no grill usando pouca manteiga em um formato retangular (vocês podem encontrar receitas em português na internet com esse nome mesmo).
Só pra continuar com as gordices, também quero. hahaha
[8] Torrada de passas (raisin toasts): torrada feita de pão de passas (ou assim eu deduzi XD). O pão de uvas passas (raisin bread), é um tipo de pão feito com passas e aromatizado com canela.
Esse eu passo porque não gosto de passas. kkkkk



2 Comentários

  1. Kkkk ri muito dos seus comentários, hum adoro passas, parece uma delícia esse pão de passas

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  2. bom agora é esperar (pacientemente) pelos próximos capitulos obrigado bjsss.

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