Oi pessoal!

Desculpem a falta de capítulo ontem, mas estava terminando CS. *u*

Eu tive que sair hoje e acabei não conseguindo terminar de traduzir o último capítulo (e ainda vou ter que sair de novo T^T), mas vou traduzi-lo agora (e quando voltar) e, assim que eu acabar, independente da hora, eu vou postá-lo! Assim, finalmente chegamos ao fim dessa fic linda! Eu procrastinei muito com ela, por isso peço desculpas, mas eu realmente espero que a demora não tenha desanimado vocês tanto assim. (*´∀`*)ゞ

Sem mais, vamos ler! ^⬨^/

Beijos~        
Lena.
Eren é tão lindoooo!!!! *O*
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Capítulo 25: Minha caixa de Pandora




Resumo:
Meu coração triste lhe procura sempre [1]
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Notas da Autora:
(...) Esse capítulo meio que parece um filler (enchimento), mas também é necessário. Eu só desejava que ele tivesse mais coisas importantes nele, mas ele realmente tem sua importância. Eu juro que não faço sentido nenhum, mas tenho certeza que você vão entender o que quero dizer depois de lerem, então vão em frente. :)
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Na Noite de Natal, eu me encontrei de pé na cozinha da Petra estampando biscoitos em forma de rena da massa que foi esticada sobre a tábua de corte. A casa inteira estava cheirando a assados frescos e música de feriado tocava ao fundo, mas, a cada alguns segundos, a música era interrompida por Petra sovando massa com mais força do que o necessário. Na sala de estar, os pais dela estavam sentados conversando ociosamente sobre vinho tinto. Eles tinham vindo para casa no último segundo arruinando todos os nossos planos para o dia.
Jean, que estava salpicando açúcar em uma fornada de brownies, de repente soltou, “Isso é ridículo. Eles não podem simplesmente voltar assim. Quem diabos eles pensam que são?”
Petra suspirou, um som longo e duradouro de derrota. Ela limpou suas mãos cobertas de trigo no avental que ela estava vestindo sobre seu vestido borgonha. “Essa é a casa deles.”
“Nós não precisamos ficar aqui,” ele insistiu. “Nós podíamos ir para a minha casa.”
Enquanto eles discutiam sobre se deveríamos ou não ficar, eu fiquei de pé ali pensando sobre como amanhã era meu aniversário de dezoito anos. Eu não queria comemorar, mas o Treinador Smith havia tomado para si o plano de uma festa de despedida/Natal na igreja local. A cidade inteira estaria lá, então não comparecer não era uma opção. Especialmente já que esse seria meu último Natal aqui em Shiganshina.
Eu coloquei os cookies restantes sobre a folha e fechei meus olhos com um suspiro. Nos últimos cinco dias, eu estive tentando encontrar um jeito de me comunicar com Grisha, mas ele tinha sumido sem deixar traços. Como a mulher na agência de correios me dissera várias vezes, era contra a lei que ela me desse o endereço de envio dele, o que me deixou sem uma forma de descobrir se Eren ainda estava vivo ou não. Como eu deveria seguir em frente assim?
“Levi,” Jean estalou, chamando minha atenção para ele. Ele estava limpando o açúcar refinado que ele tinha derrubado sobre o balcão. “Diga a ela que deveríamos ir.”
Eu olhei para Petra que estava encarando-o com adagas nos olhos. “Eu não quero que vocês dois briguem por causa deles. Eles não valem isso.”
“Eu sei que não,” Petra disse em um golpe. Então ela suspirou, virando-se para que ela pudesse passar os braços na cintura do Jean. Ela descansou a testa entre as omoplatas dele. “Me desculpe. Você está certo. Nós deveríamos sair. Nenhum de nós quer ficar aqui.” Ela virou a cabeça para olhar pra mim. “Vamos empacotar todas essas coisas e ir para a casa do Jean. Era para ser nós três. Meus pais não podem mudar isso agora.”
Eu fiz a pergunta que precisava ser feita: “E se eles decidirem que não querem que você vá?”
“Então eu vou me trancar no meu quarto e levar toda a comida que eu fiz comigo.”
Jean bufou um riso. “Se você pensa que vai comer essa comida toda sozinha, então está enganada. Eu trabalhei pra caralho fazendo aquelas panquecas de cheesecake [2], que eu tenho certeza que têm mais de cinco mil calorias nelas, mas quem está contando?”
Os próximos quinze minutos foram passados carregando a comida para a caminhonete de Petra. Surpreendentemente, os pais dela não questionaram o que estávamos fazendo. Eu não consegui descobri o porquê disso até eu ter um vislumbre deles na sala de estar. Mesmo da onde eu estava à porta, eu podia ver que eles estavam embriagados. Os dois estavam sentados no chão, ignorando o tabuleiro de SCRABBLE [jogo de palavras cruzadas] entre eles em favor de bebericar vinho. Eu os observei por um tempo, me perguntando se eles sabiam que sua única filha desistira de ter a atenção deles. Eu não conseguia me fazer me sentir mal por deixá-los ali sozinhos.
Depois que tudo estava empacotado, Jean carregou Petra no estilo noiva e a carregou para a caminhonete. Ela riu enquanto ele tentava abrir a porta do lado do passageiro com ela em seus braços. Eu não podia evitar de pensar em Eren enquanto os observava. Eu podia me sentar aqui e me sentir amargo com isso, mas o que eu ganharia com isso? Em vez disso, eu escolhi ficar feliz por eles. Eles mereciam isso, afinal.
Quando estávamos na caminhonete, com pratos de comidas em nossos colos, Jean girou a chave na ignição e saiu para a rua lentamente. A neve se agarrava nas correntes enroladas nos pneus gerando um som de esmagamento que levou Petra a ligar o rádio. Enquanto “All I want for Christmas is you” tocava, eu virei minha cabeça para olhar pela janela, observando as casas familiares passarem por nós numa série de memórias que eu não me importava de guardar.
Era óbvio para mim agora que eu nunca aceitara verdadeiramente que Eren se fora. Esses últimos cinco dias provaram isso para mim. Mesmo que eu conseguisse falar com Grisha, será que ouvi-lo dizer as palavras que eu temia me dariam um fechamento? Será que me ajudaria a seguir em frente saber que Eren estava morto? Eu fechei meus olhos, soltando um pequeno suspiro, porque eu já sabia a resposta para aquelas perguntas. As únicas memórias que eu desejava manter eram aquelas do garoto que mudou minha vida. Todo o resto parecia minúsculo em comparação.
“Você pode acreditar que será de maior [3] amanhã?” Jean disse estapeando o volante até que eu olhasse para ele. Quando ele viu que tinha minha atenção, ele adicionou, “Como a carta está indo?”
Depois de meu confronto com ele, eu decidi escrever uma carta para Eren como uma forma de expor tudo o que eu sentia. Mas colocar meus sentimentos em palavras era difícil. Eu não conseguia escrever duas frases sem desistir. Havia tanto que eu precisava dizer, mas eu queria dizer para o Eren. Eu queria que ele ouvisse, para que ele pudesse entender o quanto ele significava pra mim, o quanto ele me mudou para melhor. Eu estava com tanta raiva de mim mesmo por não ter dito essas coisas para ele enquanto ele estava aqui. Agora era tarde demais.
“Não está saindo,” eu admiti, encostando minha testa no vidro da janela. Foi então que Jean passou pela velha rua do Eren e eu poderia jurar ter visto... “Jean, para o carro!”
“Que?” ele perguntou confuso.
“Para o carro!” Eu empurrei a porta antes da última palavra sequer ter saído da minha boca, o que fez ele afundar o pé no freio. O prato que estava no meu colo agora estava no espaço para os pés, mas eu já estava do lado de fora na calçada. Foi um milagre eu não ter caído de bunda com o quanto o cimento estava escorregadio.
Sem me explicar, eu comecei a correr de volta por onde viemos. O solado da minha bota era inútil nesse clima e eu quase escorreguei com cada passo que dava, mas eu não podia parar. Eu precisa ver se eu tinha visto o que pensava que tinha visto. Quando eu virei a esquina que me colocou na Rua Stewart, eu parei bruscamente em meu caminho. Lá, estacionado na frente da velha casa de Eren, estava o carro do Grisha. Meu coração batia furiosamente, forte e rápido o suficiente para fazer meu peito doer.
Cambaleando em frente, eu conseguir chegar ao carro dele sem cair. Enquanto fiquei parado ali no frio, eu notei que Grisha estava sentado no assento no motorista, sozinho. Pelo que eu podia ver, os últimos quatro meses não foram bons com ele. Seu cabelo estava mais cinza do que marrom agora, e as rugas em seu rosto haviam se aprofundado consideravelmente. Ele parecia ter envelhecido anos em questão de meses.
Querendo chamar a atenção dele, eu bati no teto. Imediatamente, os olhos dele levantaram da tela de seu celular. Ele pareceu assustado ao me ver.
Batendo alguma coisa em seu celular, Grisha abriu a porta do motorista. “Levi, o que está fazendo aqui?”
Minha garganta se contraiu enquanto ele pisava na rua. Fazia tanto tempo desde que eu o vira. “Eu vi seu carro quando Jean dirigiu por aqui. Eu...” Eu fechei meus olhos por um curto momento, juntando a coragem para fazer a próxima pergunta. “O Eren está com você?”
Grisha me olhou por um tempo muito longo antes de balançar a cabeça. “Não, não está. É por isso que estou aqui, na verdade. Eu tenho uma coisa para lhe entregar, mas vendo como é Noite de Natal, eu pensei que esperaria pra isso. Eu não quero interferir nos seus planos.
Minhas pernas estavam a segundos de ceder, então eu me encostei no carro dele para ter apoio. Eren não estava com ele, o que só podia significar uma coisa...
Nada poderia me preparar para o sentimento que tomou conta de mim naquele momento de descobrimento. Era uma dor intensa e enchia meu peito com um peso que eu sabia que ficaria comigo para sempre.
“Levi, ei,” Grisha disse se aproximando de mim. Ele passou o braço pelos meus ombros. “O que eu vim para lhe entregar pode esperar. É Noite de Natal. Eu sei que você precisa estar em algum lugar agora, e você deveria passar a noite fazendo o que você planejou fazer.”
“É algo dele?” eu perguntei em uma voz baixa. Mesmo quando a primeira lágrima desceu pela minha bochecha, eu não me importei de enxuga-la. “Você veio para Shiganshina de novo para me dar alguma coisa que veio dele?”
“Sim.”
“Então não pode esperar. Se vem dele, eu preciso disso.”
 Para minha surpresa, Grisha deu um riso abafado. “Sabe, eu avisei a ele para não lhe dar nada, que tempo suficiente já tinha passado pra você para ter superado ele, e que ele não deveria reabrir velhas feridas. Você quer saber o que ele tinha a dizer sobre isso? Ele disse, ‘Levi me ama mais do que isso, pai. As feridas ainda não cicatrizaram.’ Ele ficou com raiva de mim por dias.” Em um tom triste, ele adicionou, “Ele não tinha superado você também.”
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, a caminhonete da Petra apareceu no fim da rua. Nós dois ficamos quietos enquanto ela se aproximava. Pelo para-brisas dianteiro, eu vi os olhos de Jean se alargarem enquanto fixavam em Grisha, que estava digitando alguma coisa em seu celular. Isso tudo parecia muito surreal, como algo do que eu acordaria e não acreditaria que tinha acontecido. Seria mais fácil desse jeito. Assim eu não sentiria essa incrível tensão em meu coração.
Jean parou a caminhonete atrás do carro de Grisha e, assim que o rugir do motor parou, ele e Petra estavam empurrando as portas. Enquanto eles andavam para onde eu estava, eu vi a expectativa nos olhos deles, a pergunta que eles não queriam pronunciar. Eu não estava pronto para dizer aquilo, então eu não ofereci resposta alguma.
“Dr. Jaeger,” Petra disse quando nos alcançou. “O que o traz à cidade?”
“Um pedido,” Grisha respondeu. “Não era minha intenção esbarrar em todos vocês hoje. Como eu disse para o Levi, eu não quero interferir com nenhum de seus planos, então não se sintam obrigados a ficar por aqui. Se vocês têm algum lugar para estar, então eu entendo completamente.”
Ela sorriu enquanto batia dava tapinhas no ombro dele. “Não se preocupe. Nós não temos muito planejado para hoje. Nós só ficaríamos sentados aproveitando a companhia um do outro. Você gostaria de se juntar a nós? Isso é, a não ser que você tenha seus próprios planos.”
“Não, sem planos para mim hoje. Eu realmente agradeço a oferta, mas eu não gostaria de ser um incômodo.”
“Você não seria. Tem comida o bastante para nós, certo rapazes?” Ela olhou primeiro para Jean, então para mim.
Jean disse, “É, cara, é Noite de Natal. Seria uma droga ficar sozinho. Quero dizer, você está sozinho, certo?”
Eu lancei um olhar a ele porque aquilo não foi nem um pouco sutil, mas ele apenas deu de ombros de um jeito bem Jean.
Grisha tirou seus óculos para apertar a ponte de seu nariz, como se estivesse tentando conter uma dor de cabeça. Ele parecia cansado. “Sim, estou sozinho, e eu estive dirigindo por um tempo terrivelmente longo. Temo que não seria uma boa companhia essa noite. Estou dormindo em pé.”
“Onde você vai ficar?” Petra perguntou.
“Em lugar nenhum, por enquanto.”
“Então venha conosco. Nós vamos arrumar um quarto para o senhor na casa do Jean e você não será um incômodo. Vamos, Dr. Jaeger, deixe-nos ajuda-lo na Noite de Natal.”
Com um sorriso, Grisha disse, “Como eu poderia recusar uma oferta assim?” Enquanto eles continuaram falando, ele tirou um envelope do bolso de seu casaco. Meu nome estava escrito na frente na caligrafia inclinada que eu conhecia melhor do que a minha própria. Ele entregou para mim. “Eren queria que você escutasse a fita aí dentro no seu aniversário, mas eu tenho certeza que ele não se importaria de você ler a carta um pouco antes.”
Com dedos trêmulos, eu peguei o envelope dele. Eu olhei para isso e passei meu dedo indicador sobre meu nome. Eren. Dentro estava seu último adeus. Depois disso, eu não teria nada novo dele. Tudo ficaria no passado, uma memória que eu colecionaria em desespero. Por que a vida trabalhava de formas tão cruéis?
“Você precisa de um minuto?” Petra perguntou, colocando sua mão sobre a minha.
Eu precisava de mais que um minuto, mas eu assenti. Depois disso, Grisha, Petra e Jean se reuniram ao lado da caminhonete e me deixaram sozinho para abrir o envelope que continha a única coisa que eu estivera esperando. Porém, agora que eu a tinha em mãos, eu não tinha certeza se a queria. Não teria mais volta depois que eu lesse a carta. A realidade que eu estive evitando estaria do lado de fora e enfiá-la de volta para dentro não faria sentido. De certa forma, isso era minha caixa de Pandora.
No entanto, eu não podia adiar isso para sempre. Quatro meses se passaram e eu nem tinha começado a superar. Era a hora de eu encarar isso, então eu abri o envelope e puxei o pedaço de papel sobrado lá de dentro. Alisando-o, eu tomei vários momentos para encarar as linhas de frases que Eren havia escrito para mim. Isso só servia para me mostrar que eu ainda estava apaixonado por ele.
Então, eu comecei a ler.

E eu não sei, não sei, se nós pertencemos um ao outro ou separados, exceto que minha alma se demora sobre a pele sua e eu me pergunto se estou arruinando tudo o que tivemos, e não tivemos.
-Anne Sexton
Querido Levi,

Essa carta não tem começo; nenhuma palavra justa para inicia-la me vem à mente. Eu poderia lhe dizer o quanto sinto sua falta, o quanto eu sofro por você, mas se você se sente como eu me sinto, então você não precisa de uma explicação da dor que veio com a separação.
Há dias que eu me arrependo de deixar você. Eu desejo retirar aquilo e me deitar nos seus braços até que não possa dizer quem é quem, mas, então, eu penso pelo que eu passei desde que parti e entendo que o que eu fiz era necessário. Mas isso dói. Dói tanto estar onde você não está. Eu ainda acordo toda manhã querendo ver seu rosto, ouvir sua voz, experimentar o meu nome em seus lábios, mas estou sozinho e eu sinto isso. É uma dor aguda e constante em meu coração.
Se eu estivesse sentado aí com você, eu perguntaria o que você pensou sobre que esta carta seria. Você pensou que eu diria adeus? Levi, mon amour, eu não consigo dizer adeus pra você. É impossível porque eu o amo como o girassol ama o sol. Mesmo quando estou envolto em escuridão, eu ainda desejo o calor de sua pele, e eu viro meu rosto procurando por ela, mas só encontro o frio. Mas isso não quer dizer que não procurarei por ela. Eu vou: hoje, amanhã e o dia seguinte.
Eu amo você. Eu não posso dizer essas palavras o suficiente. As enfermeiras pensam que estou louco porque, apesar de pelo que estou passando fisicamente, eu estou mais despedaçado pela sua ausência. Isso é o amor, no entanto, não é? Ele é louco e idiota, mas eu não me importo tanto quando é com você.
Agora, para chegar ao motivo dessa carta: Há uma fita guardada no envelope que esta veio. Eu quero que você a escute no seu aniversário. Ou mais especificamente, à meia-noite. Tem um motivo para isso, assim como tem um motivo para eu ter feito meu pai dirigir à Shiganshina para lhe entregar isto pessoalmente. Eu sei que não estou aí, mas ainda sou capaz de fazer pedidos e este será meu último.
Eu amo você, Levi. O que é o tempo comparado ao nosso amor? Nada. Nada mesmo.

Seu,           
Eren.
Em um beijo você saberá tudo o que eu não disse.
-Pablo Neruda.

Me virando para Grisha, eu disse, “Isso parece incompleto.”
“A fita vai completa-la, eu presumo.”

(x)

De volta à casa do Jean, nós nos sentamos em volta da mesa comendo comidas de festa que não conseguiam me distrair da carta de Eren. O que tinha naquela fita? E por que eu tinha que esperar até meu aniversário para ouvi-la? Tudo o que eu podia fazer era adivinhar, o que não era bom o suficiente para mim. Eu queria saber.
De repente, a sopa que eu estava tomando desceu pelo tubo errado, me fazendo engasgar. Paciente como uma mãe, Petra começou a dar tapinhas na minha costa até que eu me recuperasse do acesso de tosse. Era vergonhoso como eu começara a engasgar pensando sobre o que tinha na fita esperando por mim no quarto de Jean. Eu me sentia tão impaciente, pronto para ferver, porque eu sabia que a fita era realmente o que eu estive esperando. A carta era apenas o ato de abertura.
“Você está bem?” Petra perguntou depois que eu engoli vários goles de água.
Eu enxuguei minha boca com um guardanapo. “Sim.”
Jean abriu um sorriso afetado, o que era nojento porque a boca dele estava cheia de panquecas de cheesecake. “Ainda engasgando pelo Eren, eu vejo.”
“Jean!” Petra sibilou, seus olhos disparando para o quarto onde Grisha estava dormindo.
“Muito cedo?”
Eu o encarei. “É, cedo demais. Agora cala a boca e come.”
Não tinha clima festivo enquanto continuamos a comer em um silêncio meio constrangedor. Minha mente estava a um milhão de quilômetros de distância. Eu sabia que Eren não estava aqui, mas o fato de que tinha alguma coisa dele esperando por mim me deixava inquieto. Eu queria fosse meia-noite logo para que eu pudesse ouvir o som da voz dele, para que eu pudesse saber o que ele tinha a dizer.
“Eu acho que vou dar uma caminhada,” eu disse, precisado me afastar por um tempo.
Jean enfiou um brownie inteiro na boca antes de responder com, “Okay.”
Petra deu a ele um olhar exasperado. Então ela se virou para olhar pra mim. “Tudo bem. Você quer companhia?”
“Não,” eu disse. “Eu acho – Eu preciso ficar sozinho agora.”
Ela assentiu. “Okay. Se precisar de nós, é só ligar.”
Enfiando meus braços pelas mangas de meu casaco, eu saí para o alpendre para encontrar Grisha já parado ali. Ele olhou para mim por cima do ombro. Em sua mão, ele segurava uma carteira de cigarros. Eu olhei para ele por alguns minutos, sem saber o que fazer deles. Se ele tivesse começado um hábito de fumar, então isso seria bem doentio considerando que seu filho sofreu de IPF, uma doença que matava os pulmões.
“Ei,” eu disse finalmente, meu tom amargo.
“Eu sei o que está pensando.” Ele balançou a carteira que ainda segurava em sua mão. “Eu não fumo. Não mais. Eu parei quando Eren foi diagnosticado.”
“Então por que está com eles?”
“Essa carteira foi a última que comprei, anos atrás. Eu a aguardei. Não sei porque fiz isso. Naquele tempo, era uma rede de segurança. Você sabe, para o caso de eu sentir uma ânsia, que eu tive, mas eu nunca tirei outro cigarro depois que Eren explicou para mim como era difícil respirar.” Ele parou, a mão dele se apertando em torno da carteira. “De qualquer jeito, ele queria que eu os enterrasse em algum lugar aqui em Shiganshina. É parte do pedido. Ele está me mantendo bem ocupado.”
“Você se importa que ele esteja?” eu perguntei.
Ele balançou a cabeça. “Não. Depois que a mãe dele faleceu, ele era tudo o que me restava. Eu coloquei tudo o que sou nele e não estou frustrado. Ele se tornou um indivíduo incrível. Ele foi, e sempre será, minha maior realização.”
Por um longo tempo, nenhum de nós disse qualquer coisa. Então eu perguntei, “Você gostaria de enterrá-los agora? Ou você queria fazer isso sozinho?”
“Não, eu acho que fazer isso com você seria muito mais significativo.”
Então, juntos, nós saímos para o jardim e nos ajoelhamos na base de um olmeiro. Já que não tínhamos nenhuma pá conosco, nós começamos a cavar neve e grama e terra com as mãos livres. Eu não me importava tanto, mesmo que estivesse congelando lá fora e a neve, tão fria que era quente, esfregava em meus tornozelos expostos. Estar ocupado me deixava menos inquieto, apesar de minha mente ainda estar na fita esperando lá dentro.
Quando conseguimos um buraco de bom tamanho, Grisha acomodou a carteira dentro dele sem pensar duas vezes. Ele olhou para eles e, então, do nada, ele os tirou. Eu o espiei enquanto ele fazia aquilo, surpreso de ver que ele estava chorando. Eu não evidenciei isso, assim como ele não tinha evidenciado minhas próprias lágrimas mais cedo naquele dia. Assim que ele terminou de dar seus sentimentos aos cigarros, ele enfiou uma mão cheia de terra dentro da carteira.
“Não consigo acreditar que eu costumava fumar isso,” ele disse depois que eles estavam completamente cobertos. “Eu sou um médico. Você pensaria que eu seria mais esperto que isso.”
“Nós todos nos perdemos para alguma coisa.”
Ele olhou para mim. “Sim, suponho que esteja certo.”

(x)

Exatamente à meia-noite, eu me sentei sozinho em meu quarto, o gravador que eu guardara meses antes sobre o meu colo. Incapaz de esperar mais um segundo, eu apertei o PLAY.
A voz de Eren encheu meus ouvidos imediatamente, bela e precisa. “Vá para o lugar onde você realmente me viu pela primeira vez. Escute o resto da fita lá.”
Eu sabia onde precisava ir: A praia.

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Notas da Tradutora:
[1] Verso do poema “Brown and Agile Child” (Criança ágil e morena) de Pablo Neruda.
 [2] Panquecas de Cheesecake: Cheesecake é uma espécie de bolo (está mais para torta, na minha opinião XD) originado na Grécia, mas popularizado nos Estados Unidos nos anos 70. O cheesecake americano é normalmente constituído por uma base de biscoito, um recheio à base de queijo, creme e ovos, e uma cobertura de frutas, geralmente vermelhas. As panquecas de cheesecake nada mais são do que panquecas servidas inspiradas no bolo. Vejam a foto abaixo e babem comigo. *¬*


 [3] “Você pode acreditar que será de maior amanhã?”- Uma tradução literal do que Jean fala aqui seria “Você pode acreditar que será legal amanhã?”, sendo este ‘legal’ no sentido de ‘liberado pela lei’. ‘Legal age’ (idade legal) se refere à idade que uma pessoa pode exercer legalmente uma determinada atividade. As idades de relevância jurídica são: idade de responsabilidade criminal, maior idade, idade de consentimento (idade legal em que se é considerado legalmente competente a consentir com atos sexuais), idade de consumo de álcool, idade de trabalho legal, e por aí vai. Eu achei que usar a palavra “legal” pudesse ficar meio confuso, por isso usei “de maior”. 

2 Comentários

  1. Por que essa autora deixa td ambíguo??? Uma hora eu to ele morreu, outra eu to ele tava fazendo tratamento.
    Jean é muito sem-noção Jesus kkkkkkkk

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  2. nem vou comentar, vou ler o ultimo rapido!!! obrigado Lena.

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